Jacarta - As equipes de resgate continuam as buscas por mais de cem desaparecidos em uma inundação causada pelo rompimento de um dique em um bairro residencial de Jacarta, capital da Indonésia. Ao menos 58 pessoas morreram e, com mais de 400 casas submersas pelas águas, as autoridades alertam que o número de vítimas pode aumentar.
As equipes de resgate usam botes de borracha para retirar corpos e pessoas isoladas pela água e lama que causou um pequeno tsunami no bairro e transformou as ruas em rios. As autoridades preveem que o número de mortos pode passar de cem.
A altitude das águas cobre boa parte das casas e muitos aguardam o resgate nos telhados. As linhas de telefone estão sobrecarregadas e os carros foram arrastados pela correnteza por centenas de metros.
“Eu estou devastado”, disse Cholik, 21 anos, chorando ao lado do corpo de sua mãe. Seu cunhado também foi morto na inundação e sua sobrinha, de apenas um ano, está desaparecida. “Eu não estava em casa na noite passada. Eu deveria estar lá para salvá-los.”
A inundação ocorreu na madrugada de ontem, por volta das 2h (16h de ontem em Brasília), com o rompimento de um dique, construído em 1933, após várias horas de chuvas. Cerca de 5.000 pessoas estão desabrigadas e cerca de cem foram feridos por ondas de mais de três metros de altura que se formaram com a ruptura da represa. Elas estão sendo atendidas em dois centros hospitalares da região.
“A maioria dos mortos estava nas áreas afetadas mais distantes da represa. Os que moravam mais perto escutaram as sirenes de alarme minutos antes do rompimento e conseguiram fugir”, explicou o chefe do Ocha na Indonésia, Ignacio León.
Mais 400 casas ficaram submersas, além de várias empresas, cinco subestações elétricas e uma escola. Centenas de pessoas foram evacuadas e alojadas temporariamente em um acampamento dentro das instalações da universidade de Muhammadiyah, que fica próxima à área afetada.
O presidente da Indonésia, Susilo Bambang Yudhoyono, o vice-presidente do país, Jusuf Kalla, e o ministro de Bem-estar Social indonésio, Aburizal Bakrie, visitaram as áreas afetadas ao longo do dia para falar com os atingidos e analisar as dimensões da tragédia.