Os dias e noites quentes ficaram para trás, pelo menos por enquanto. Desde a semana passada, coincidência ou não, após a chegada do outono, no dia 20, as madrugadas estão bem mais amenas, se comparadas com as do início do mês. Na última quinta-feira, a temperatura mínima foi de 17 graus em Bauru, seis graus abaixo da temperatura mínima registrada no início do mês. No entanto, a temperatura máxima continua alta, acima dos 30 graus. Madrugadas frias e dias quentes: essa variação brusca de temperatura em poucas horas é uma das marcas registradas das trocas de estação, especialmente quando chega o outono e a primavera. São épocas propícias para o aparecimento de doenças respiratórias.
“As mudanças de estações que exigem readaptação do organismo quase sempre provocam doenças”, afirma o infectologista Marcelo Pesce Gomes da Costa. Isso porque variações extremas de temperatura baixam a resistência do corpo e deixam a pessoa suscetível a ataques de vírus.
Segundo a médica Joaquina Maria Correa, especialista em alergia e imunologia, toda vez que há o resfriamento do ar, são grandes as chances de complicações no sistema respiratório. “O resfriamento das vias aéreas é um desencadeador de crises respiratórias, como a rinite”, explica. Na primavera, além da variação de temperatura, há ainda a polinização do ar provocada pela dispersão do pólen das flores. Essas partículas, quando inaladas, irritam as vias aéreas de quem tem alergia e provocam espirros, coriza, entupimento das narinas e dor de cabeça, entre outros desconfortos.
A alergoimunologista lembra ainda que quando cai bastante a temperatura, a tendência é que as pessoas fiquem em ambientes fechados para fugir do frio. Se por um lado é mais confortável, por outro favorece a disseminação de vírus e, conseqüentemente, de doenças.
De acordo com Marcelo Pesce, a transmissão da gripe aumenta bastante nesta época do ano porque o vírus permanece por mais tempo no ar quando está frio. Portanto, até setembro cresce muito o risco de se contrair desde uma gripe simples até aquelas que deixam a pessoa de cama.
A vacina contra a gripe é apontada tanto por Marcelo quanto por Joaquina como uma boa alternativa para combater a doença nesta época. “A vacina não protege 100%, mas ajuda muito. Ela não imuniza contra todos os tipos de vírus influenza, que são mais de 400, mas ajuda a amenizar e a reduzir os efeitos”, diz Joaquina.
Segundo Pesce, os efeitos positivos da vacina somente são sentidos se ela for tomada na época certa, que é antes do frio chegar - ou seja, estamos na “época certa”. Para o infectologista, é preciso um tempo hábil para que a vacina provoque a fabricação de anticorpos dentro do organismo. “Assim, quando o vírus chegar, o corpo estará protegido”, justifica.
Ele comenta que, normalmente, a vacina é desenvolvida para combater os vírus que predominam naquele momento. Por isso, nada impede que a pessoa vacinada venha a ficar doente, porque são muitos os vírus existentes e a vacina não protege contra todos.
“A vacina não é 100%, mas isso não tira o mérito dela”, afirma. E ele aproveita para fazer uma recomendação: “quem puder, tome a vacina. As pessoas não vão deixar de ficar doentes, mas o risco diminui”, declara Pesce.