Foi há apenas cinco anos que Cláudia Chimbo formou seu próprio coral, o Tom Maior. Filha e sobrinha de regentes e tendo como herança uma família de músicos, faz mais de cinco décadas que essa prática acompanha a história de suas gerações. “Desde que nasci, convivo com música. Minha mãe era cantora de rádio com 5 anos. Desde pequena, fez parte do meu universo freqüentar os ensaios do coral que ela regia”, lembra.
Partituras datadas da década de 1940 fazem parte do acervo de Cláudia e contam um pouco sobre a biografia do coro em sua família, iniciado pela tia Vitória Godoy, no Coral da Igreja Aparecida. “Brinco que parece até papiro. Todas partituras escritas a pena, uma raridade”, conta.
Mãe dos músicos Adilson e Amilton Godoy (integrante do Zimbo Trio), Vitória passou o coral para o comando da irmã Iete (mãe de Cláudia). “Era um grupo superbacana e conceituado na época. Foi assim que, com uma mãe regente, passei a viver isso desde sempre e a me dedicar à música”, narra a regente, que estuda piano desde os 8 anos e, por mais de 18, deu aulas do instrumento, além da flauta.
Foi com algumas das músicas sacras do repertório de dona Iete que Cláudia começou o Tom Maior, hoje com 22 integrantes, entre eles seus pais. Atualmente, o coral é conhecido, principalmente, por seu trabalho com a música popular brasileira, com arranjos do instrumentista George Vidal.
“Seguir com o coral foi natural e inevitável para mim. Com uma família cheia de músicos - um toca flauta, outro canta, e outro senta no piano - acabamos que freqüentemente qualquer almoço de família vira encontro de coral”, brinca.
Para este ano, filhos e amigos em parceria com o Tom Maior pretendem homenagear Vitória, a percursora na família, em comemoração aos seus 95 anos. “Pretendemos fazer uma apresentação na Igreja Aparecida, onde ela começou, com peças do repertório. Quem sabe fazer até com que ela reja uma música”, planeja.