Regional

Gama vence em Igaraçu com 37%

Adilson Camargo
| Tempo de leitura: 4 min

Igaraçu do Tietê - Em uma votação tranqüila, o candidato tucano Carlos Augusto Gama (coligação PSDB, PV, PMDB, DEM, PRB, PRTB, PSL, PTB e PC do B) foi eleito ontem o novo prefeito de Igaraçu do Tietê (71 quilômetros de Bauru). Ele já vinha exercendo o cargo de forma interina desde janeiro por causa da cassação do registro das candidaturas do prefeito reeleito, Guilherme Fernandes, e do vice Juvenal Fernandes de Mello, após condenação da Justiça Eleitoral de compra de votos. Gama assumiu a vaga por ser o presidente da Câmara de Vereadores.

Em razão da cassação foi marcada uma nova eleição da qual participaram cinco candidatos, um a mais do que no pleito do ano passado. Durante a campanha, Gama recebeu apoio do prefeito cassado, que, ainda “briga” na Justiça Eleitoral, para retornar à prefeitura. A surpresa da eleição de ontem foi o desempenho nas urnas do candidato Wamberto Picolli (coligação PSB, PDT, PTN, PT e PT do B), autor da denúncia que levou à cassação de Fernandes. Na eleição passada, ele terminou em segundo lugar com 34% dos votos válidos (4.721). Desta vez, ficou em quarto lugar, com menos da metade dos votos obtidos em 2008 (veja resultado final no quadro abaixo).

Ele ficou atrás de José Cláudio Bergamasco, (coligação PR, PSC e PPS), também conhecido como “Cacum”, que obteve 2.970 votos (21,65% do total), e de Fernando Mauro Roncari (PTC), que recebeu 2.942 votos (21,44% do total). Ambos fazem parte do grupo político que apoiou a eleição de Fernandes no ano passado. Somando os votos de Gama, Bergamasco e Roncari, a coligação que esteve com o prefeito cassado na eleição de 2008 obteve 80% dos votos de ontem.

“Briga em família”

Para o prefeito cassado, o resultado foi uma resposta da população para as denúncias que foram feitas contra ele. “A população fez justiça. Eu sempre disse que sou inocente, que nunca houve compra de voto e o povo deu a resposta na urna”, comemorava Fernandes logo após a apuração.

Fernandes ainda briga para retomar o mandato, mas agora, segundo ele, a “briga vai ficar em família”. “Qualquer que for o resultado está bom”, disse.

Já o prefeito eleito mostrava um certo desconforto, apesar da vitória, por conta da indefinição da situação política na cidade. “Eu estava interino, agora sou prefeito suplementar. Ainda estamos aguardando. Mas até que haja uma definição, vamos continuar à frente da prefeitura. Agora com um pouco mais de fôlego”, comentou momentos depois da vitória.

Segundo ele, a partir de hoje, terá um pouco mais de tranqüilidade para trabalhar. “Esse último mês foi muito corrido. Tive de conciliar a administração da cidade com a campanha eleitoral, que é sempre muito desgastante”, contou. Passada a eleição, ele disse que agora “entra com força” para dar seqüência ao trabalho que vinha sendo feito pela administração anterior e por ele próprio.

Durante os quase três meses que esteve à frente da prefeitura, Gama disse ter assinado alguns convênios e conseguiu a liberação de verbas. Entre elas, uma no valor de R$ 250 mil para a reforma de um barracão que abrigará uma incubadora de empresas. “São coisas que eu conquistei este ano. A partir de agora, vamos batalhar para conseguir mais”, disse.

Além de Igaraçu do Tietê, outras quatro cidades tiveram eleições ontem por causa da anulação do pleito de 2008. Entre elas estiveram Londrina (PR), Itapé (BA), Lupércio e Guarani D’Oeste, ambos em São Paulo.

Tranqüilidade

A eleição de ontem em Igaraçu do Tietê transcorreu de forma tranqüilha. A Polícia Militar registrou apenas um boletim de ocorrência por causa de um suposto caso de boca de urna. Mas ninguém foi detido e não houve apreensão de material de campanha.

Dos 18.209 eleitores aptos a votar, compareceram 14.876 nas 45 seções que existem na cidade. O dia ensolarado e quente, colaborou para que as pessoas saíssem de casa. O que deixou a desejar foi o comportamento de alguns cabos eleitorais que não se importaram nem um pouco em sujar as ruas da cidade com “santinhos” de seus candidatos.

Principalmente nas ruas próximas aos locais de votação, num total de sete escolas, era desalentador ver aqueles milhares de papéis jogados no chão que, na verdade, de nada servem. Poucas pessoas, para não dizer ninguém, dá-se ao trabalho de abaixar e pegar algum desses “santinhos”. Ainda mais quando a eleição envolve apenas cinco candidatos, como foi ontem em Igaraçu.

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