Os bosques da cidade estão pedindo socorro. Sem limpeza e manutenção, eles são pouco visitados pelos moradores da comunidade onde estão instalados. Por outro lado, espaços que esbanjam verde estão sendo ocupados por viciados em droga que afugentam ainda mais a população. Uma exceção é o Bosque da Comunidade, no Jardim Dona Sarah, que embora apresente problemas de manutenção, continua sendo prestigiado pela população da zona sul da cidade.
Em Bauru, há quatro bosques e todos eles necessitam de mais cuidados, diz o interino da Secretaria Municipal do Meio Ambiente (Semma), Valcirlei Gonçalves da Silva. Ele afirma que, nas próximas semanas, será desencadeada uma “operação” para limpar e fazer a manutenção básica dos espaços verdes.
Porém, o projeto de revitalização, tão sonhado pelos vizinhos e freqüentadores, ainda não está definido, admite. “São grandes áreas que demandam grandes investimentos. Vamos discutir um projeto junto com as secretarias de Esporte e Cultura para incentivar a população a ocupar esse espaço”, aponta Silva.
O projeto que as secretarias pretendem traçar, ele explica, brindaria a população com música, poesia e esporte. “Para que a população daquele bairro não tenha que sair dali para se divertir e, ao mesmo tempo, conheça e curta o bosque que é um espaço verde muito agradável”, completa.
O secretário interino vê tais espaços como pouco atrativos para a população, por isso a freqüência é baixa. Exemplo típico é o Bosque do Parque União. Mato e falta de poda das árvores, somados a mortes ocorridas no córrego que passa em seu interior, afugentaram os cidadãos do local. O espaço verde foi ocupado, mas por viciados em drogas, que fazem uso sem o menor constrangimento.
“A comunidade não usa. Ficou um local perigoso para as crianças, por conta do riacho, e das pessoas que costumam fumar maconha e crack aqui”, comenta a vizinha Tânia Regina Fidelis Leopoldo.
Segundo a moradora, um vizinho de outra rua chegou a plantar flores e plantas do lado do bosque que fica próximo à casa dele. “Ele é um professor que cuida, mas não dá conta de tudo. A prefeitura precisa recuperar o espaço.”
Ela ressalta que o descuido gerou entulho de toda espécie. “Os moradores desse e de outros bairros jogam lixo e até animais mortos. A iluminação foi toda quebrada. Ninguém usa a quadra”, critica.
O alambrado que cercava o bosque está quebrado em vários pontos, o que permite o acesso mesmo quando os portões estão fechados. A moradora lamenta o abandono. “Se tivesse bem cuidado, com certeza a freqüência seria outra.”
Aspecto de abandono
O mesmo problema enfrentam os moradores das imediações do bosque do núcleo Presidente Geisel. Sem manutenção e limpeza, o local está sendo usado para consumo de drogas. Lixo reciclável para todo lado, brinquedos quebrados e falta de poda e cuidados com as árvores e vegetação fazem do bosque do Geisel um local com total aspecto de abandono.
Moradora do bairro, Ana Lúcia Souza diz que tentou levar em frente uma limpeza e cuidado com as plantas. “Eu e meus filhos tentamos cuidar, mas a prefeitura precisa fazer a parte dela. Os portões ficam abertos e durante a noite, o bosque é usado para todos os fins”, afirma.
Em sua opinião, a situação é um descaso com a população. “Uma vizinha que fazia caminhadas aqui foi atingida por um galho de árvore. Pedimos a limpeza e a prefeitura não aparece. Quando aparece, faz um serviço superficial”, reclama.
O Bosque da Comunidade, no Jardim Dona Sarah, tem bancos quebrados, falta de poda em árvores, pombas e gatos por todos os lados. Mesmo assim, é bastante utilizado pela população que faz caminhada e leva os filhos para brincar.
Os freqüentadores acham que muita coisa poderia ser melhorada, mas que o local ainda está em melhores condições do que outros espaços. Silmar Kennerly, que leva a filha de 4 anos para brincar no local, acredita que o bosque já esteve pior. “Tinha brinquedo quebrado. Hoje, todos estão prontos para uso.”
Em sua opinião, um pouco de capricho não faria mal. “O piso da entrada poderia ser melhorado. Aqui vem muita criança e idosos também.”
Para Eliza Gati Teixeira, que costuma levar os netos para brincar no local, sempre há alguma coisa a ser melhorada, mas a situação está boa. Evandro Celso Messias, que vai com freqüência nos finais de semana ao bosque, diz que o local não está ruim, mas pode melhorar. “Tem bebedouro quebrado, falta uma pintura e em alguns lugares a tela de proteção foi estourada”, finaliza.