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Casal celebra união em ‘apagão ecológico’ da Hora do Planeta

Folhapress
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São Paulo - Num prédio de 40 apartamentos da agitada rua Rodésia, na Vila Madalena, bairro símbolo de balada em São Paulo, o salão de festas estava às escuras. Mas, lá dentro, a animação corria solta: cerca de 100 pessoas tocavam, cantavam e bebiam para celebrar um casamento. À luz de velas.

A festividade, com clima de “apagão ecológico”, atendia ao pedido da Hora do Planeta, iniciativa criada em 2007, em Sydney (Austrália), pela organização não governamental WWF. Pela proposta, que chegou anteontem ao Brasil, todos deveriam apagar as luzes das 20h30 às 21h30.

Segundo a ONG, cerca de 1 bilhão de pessoas em 3.900 cidades de 88 países “apagaram”. Até ontem à noite, o WWF não tinha um balanço sobre a adesão em São Paulo. A julgar pelos prédios, bares e restaurantes iluminados em toda a cidade, pode-se dizer que ela não foi significativa.

“Desde pequenina, separo lixo. Achei que a festa poderia ser uma iniciativa para conscientizar as pessoas”, disse a noiva, a cantora Marcela Ribeiro, 28 anos. Nada de copos ou bandejinhas descartáveis. Era tudo de vidro e porcelana. O convite (via e-mail, claro) informava sobre a adesão a Hora do Planeta e trazia o site do WWF para que todos chegassem ao evento já informados.

Dez velas garantiam a iluminação. Quem quisesse levar uma para casa podia comprá-la (de R$ 20,00 a R$ 25,00, cada uma). As velas, feitas de sobra de parafina e decoradas com resíduos (casca de alho, palha de milho, pedaços de vidros), foram criadas pela tia da noiva, a bióloga Patricia Blauth, 46 anos.

Ela fez uma ressalva à Hora do Planeta. “Deveríamos aprofundar a discussão para a energia como um todo, não só a elétrica. As pessoas precisam ter noção do impacto ambiental que causa uma hidroelétrica.”

O presidente do WWF-Brasil, Álvaro de Souza, fez questão de ressaltar, no lançamento da Hora do Planeta, que não se tratava de um ato de protesto contra as geradoras brasileiras de energia elétrica nem uma iniciativa de poupar luz. Em São Paulo, por exemplo, a Eletropaulo informou que o “apagão verde” não teve efeito no consumo de energia. “Queremos chamar a atenção para o aquecimento global. Cerca de 75% da emissão de CO2 no Brasil vem do desmatamento”, disse o presidente do WWF.

No casamento da Vila Madalena, a música dispensou eletricidade. A animação ficou por conta de clássicos como o “Samba do Arnesto”, de Adoniran Barbosa. “Ninguém reclamou”, disse o noivo, o designer Fernando Dana Jin, 22 anos. Do outro lado do corredor, luzes acessas na sala de sinuca. Desinformado, o estudante Caio Vinicius Campos, 20 anos, reclamava. “Desculpa aí. Não dá para jogar com velas, né?”

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