O Índice Geral de Preços - Mercado (IGP-M), utilizado no reajuste de contratos de aluguel, teve queda de 0,74% em março, após avançar 0,26% em fevereiro, conforme dados divulgados ontem pela Fundação Getúlio Vargas (FGV). Segundo a entidade, esta é a menor taxa do indicador desde junho de 2003, quando o IGP-M caiu 1%.
No ano, o índice acumula deflação de 0,92% e, nos últimos 12 meses, uma alta de 6,27%. A queda neste mês, que reflete o enfraquecimento da demanda interna nacional, foi maior do que a prevista pelos analistas, que esperavam uma deflação de 0,33%. De acordo com o presidente do Conselho Regional de Corretores de Imóveis (Creci) de São Paulo, José Augusto Viana Neto, a redução do IGP-M não terá reflexos significativos para o mercado imobiliário de Bauru, já que o setor se mantém aquecido na cidade devido à população universitária que reside no município.
Viana Neto explica que o contrato residencial de locação, que geralmente perdura por 30 meses, deve ter seu valor reajustado a cada ano, de acordo com o IGP-M. “Mas, no caso de queda do índice, o aluguel não diminui, apenas permanece com o mesmo valor”, comenta.
Quando o contrato vence, após dois anos e meio, o valor da locação é reajustado com base no valor de mercado atualizado do imóvel. Em Bauru, o aluguel geralmente custa 1% do valor total do imóvel, 0,5% a mais do que o costumeiramente adotado pelas imobiliárias do Estado.
“Bauru possui um mercado forte de locação e existe uma escassez de imóveis para alugar, sejam eles grandes ou pequenos. Por isso, a cidade costuma ter preços mais altos do que a média de outras cidades”, explica.
Por essa competitividade, o presidente do Creci-SP comenta que os proprietários locais não sentirão os efeitos da forte deflação do IGP-M. “A influência do índice, neste momento, praticamente inexiste. Em razão da procura muito grande em Bauru, o locatário acaba tendo de se submeter ao valor que o proprietário determinar quando finda o contrato. Quando o contrato faz aniversário, a deflação implica em permanência do mesmo valor do aluguel, o que é ótimo para o locatário”, frisa.
Otimismo
O otimismo é comprovado por uma imobiliária de Bauru, que possui 3 mil contratos de locação firmados em diversos bairros da cidade. De acordo com a gerente administrativa da empresa, Silvana Pereira, o número de imóveis alugados cresceu 40% no último ano, impulsionado principalmente pelos universitários que desembarcam na cidade.
“A quantidade de contratos de aluguel tem aumentado consideravelmente e os inquilinos continuam pagando normalmente, mesmo quando há aumento no índice. Com a queda, nem mesmo os proprietários têm do que reclamar”, pontua.
“Com a crise, esses índices que interferem no IGP-M variaram negativamente em função da retração econômica. Por isso, o aluguel vai permanecer o mesmo, momentaneamente”, comenta o conselheiro do Creci em Bauru, Giasone Albuquerque Candia. A expectativa da entidade é de que o índice volte a registrar variações positivas já nos próximos meses.