Regional

Mudança de sistema confunde usuários da PM em Piratininga

Rita de Cássia Cornélio
| Tempo de leitura: 3 min

Piratininga - A mudança do sistema analógico para o digital no Centro de Operações da Polícia Militar (Copom) está gerando confusão em Piratininga (13 quilômetros de Bauru) e deixando os usuários insatisfeitos. Os moradores, acostumados com os policiais da cidade, não estão se adaptando ao preenchimento do protocolo padrão e alegam que o atendimento está mais demorado.

A mudança é irreversível e faz parte da regionalização dos centros de operações de todo o Estado, explica o comandante da 3.a Cia da PM, capitão Fabiano de Almeida Serpa. “O Interior ainda tem comunicação analógica. Na Capital, o sistema é digital. A mudança está ocorrendo gradativamente em todo o Interior.”

A modificação, de acordo com o capitão, trará uma série de benefícios para a PM. Entre elas que pessoas externas a corporação não vão mais poder ouvir as comunicações de rádio. Atualmente, a polícia corre o risco de um traficante, assaltante ouvir a comunicação. O primeiro passo para a digitalização é a regionalização dos Copons. Na região, isso acontecerá em Bauru, Marília, Rio Preto, Ribeirão Preto, Campinas dentre outros. “Na região, do 4.º BPMI são 19 cidades. A mudança que ocorre em Piratininga vai acontecer nas próximas semanas em Duartina, Lençóis Paulista e Agudos.” O capitão garante que não se trata de teste. “A mudança veio para ficar e não é só aqui que está acontecendo. É uma política da PM do Estado.”

Para o presidente da Câmara, vereador José da Graça de Oliveira (PSDB), a modificação está atrasando o atendimento e deixando o usuário insatisfeito. “Eu quero saber se essa mudança é do Batalhão, da Cia ou do governo estadual. Vamos tentar reverter. Vou promover um abaixo-assinado.”

Ele diz que a situação se torna grave a partir do momento que a população não é atendida. “Teve um caso de um furto. A testemunha ligou para a polícia porque viu o ladrão e para onde ele fugia. Depois de tantas perguntas, o ladrão conseguiu fugir.” Ele explica que nas cidades pequenas, o problema estoura nas mãos dos vereadores. “A população sabe o telefone e o endereço do vereador e cobra providências.” Ele frisa que há duas semanas teve uma audiência para discutir a mudança. “A cúpula da PM esteve aqui explicando, mas a população não está se adaptando.”

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Um jeito simples de falar

Para se comunicar com a PM em Piratininga, os moradores estavam acostumados a falar com um linguajar próprio. Ligavam e diziam coisas do tipo, “É o João do Brejão”, por exemplo. Com a mudança, tem que dizer o nome completo e o endereço exato para que a polícia o atenda, explica o capitão Fabiano de Almeida Serpa. “O atendimento do Copom é feito por soldados temporários e policiais de carreira. Esse policial tem que seguir um protocolo, um procedimento administrativo padrão. O protocolo vai pedir o nome completo do solicitante, endereço e ponto de referência, o que não ocorria quando o atendimento era feito pelos PMs da cidade.”

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