Após um ano de investigação sobre jogo de azar usando caça-níquel na região de Bauru, 52 pessoas foram denunciadas pelo Ministério Público (MP) à Justiça Federal por envolvimento no esquema, das quais 26 foram presas ontem. Entre elas estão o ex-diretor Departamento de Polícia Judiciária - 4 (Deinter-4), Roberto de Mello Annibal, o delegado seccional de Jaú, Antônio Carlos Piccino Filho, além de seis investigadores, um agente policial e um policial militar.
A Justiça Federal de Jaú, que aceitou a ação penal do MP, expediu 33 mandados de prisão, que foram cumpridos ontem em Jaú, Rio Claro, Bauru e São Paulo. Ao todo, 26 pessoas foram presas pela Polícia Federal. Todas acusadas de participar de esquema de exploração de máquinas caça-níqueis.
A operação foi desencadeada ontem, após um ano de investigações do Grupo de Atuação Especial de Repressão e Combate ao Crime Organizado (Gaerco) do MP núcleo de Bauru, da Procuradoria da República em Jaú, e da Polícia Federal de Bauru. Com base no trabalho foram denunciados 52 réus, inclusive Annibal, Piccino e o delegado de Rio Claro, Luiz Fernando Gonçalves Fraga, que tiveram a prisão preventiva solicitada.
Mas o juiz da 1.ª Vara Federal da Justiça Federal de Jaú, Rodrigo Zacharias, indeferiu as três solicitações. MP e a Procuradoria da República analisam eventual recurso. O magistrado, no entanto, decretou que o seccional de Jaú deixasse o cargo (leia matéria ao lado). Foram presos ontem o sargento da PM Denizar Rival Lazieiro (morador em Mineiros do Tietê, mas lotado em Jaú) e cinco civis (quatro em Jaú e um em Rio Claro) - nenhum deles é delegado.
Um investigador e um agente, atualmente lotados em São Paulo, tiveram mandados de prisão expedidos, mas não foram encontrados ontem na Capital. Eles trabalharam em Bauru na gestão de Annibal. Os agentes públicos podem responder por formação de quadrilha, corrupção passiva, facilitação de contrabando e prevaricação. Somam 11 dos 52 acusados. O juiz expediu mandado de prisão contra oito servidores, sendo que os seis foram presos ontem.
O restante não é servidor público, como é o caso de Isaac Pavani e Sandro São José, presos ontem pela manhã em Bauru. Eles são acusados de montar máquinas caça-níqueis. No local de trabalho de Sandro, situado no Jardim Carolina, a Polícia Federal também cumpriu mandado de busca e apreensão, como aconteceu em dois escritórios de advocacia, sendo um em Jaú e outro em Rio Claro. Nenhum advogado foi preso.
Neste caso, todos os envolvidos responderão pela prática de infrações penais de formação de quadrilha em torno da exploração ilegal de máquinas caça-níqueis com componentes contrabandeados e corrupção ativa de agentes públicos. Para encontrá-los, a Polícia Federal contou com 130 policiais de 11 delegacias do Estado, informa o delegado chefe da Polícia Federal em Bauru, Antônio Vaz de Oliveira. Ele ressalta que recebeu todo o apoio da direção da Polícia Civil e do comando da Polícia Militar.
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Defesa pedirá soltura
O advogado de Isaac Pavani e Sandro São José, presos ontem em Bauru, recorrerá à Justiça com pedido de habeas-corpus. De acordo com Rubens Firmino de Moraes, não há nada de concreto que possa caracterizar a periculosidade de ambos, que são parentes. O advogado explica que os dois trabalham com máquinas de música e têm empresa legalmente constituída.
Mais reservado, o diretor do Departamento de Polícia Judiciária-4 (Deinter-4), Renato Swensson, evitou falar sobre o assunto. Disse à reportagem que acataria a decisão judicial e que os fatos ocorreram antes de sua posse em Bauru. Por essa razão, não poderia comentar a situação. Swensson ainda informou desconhecer o processo.
“Eu confirmo que quatro investigadores da Seccional de Jaú foram presos preventivamente. Acionei a Corregedoria e escolta para o presídio especial da Polícia Civil na Capital. Eles aguardarão as decisões da Justiça”, conclui. O assunto surpreendeu muitos policiais civis da região de Jaú e Bauru e deixou estarrecida a família do sargento da PM Denizar Rival Lazieiro. Chocada, providenciava sua defesa.