Quatro grupos criminosos, sendo três em Jaú e um em Rio Claro, agiam com o respaldo de policiais civis e um militar, segundo a denúncia do Gaerco e da Procuradoria da República. Eles não agiam necessariamente unidos e também não havia um “cabeça”, informou ontem, em entrevista coletiva, o promotor do Gaerco de Bauru, Rafael Abujamra. “Havia uma participação de igual forma de todos os agentes envolvidos e acusados”, explicou.
Todos eles, mediante corrupção e criminosa conivência de policiais, agiam na proliferação e exploração das máquinas caça-níqueis com componentes ilicitamente introduzidos no País, explicou. “Temos informações nos autos de recebimento de valores, mas não indicação precisa”, acrescentou durante a entrevista, onde esteve ladeado pelo também promotor do Gaerco Luciano Gomes de Queiroz Coutinho, do Procurador da República de Jaú, Marcos Salate, e o do chefe da Polícia Federal em Bauru, Antônio Vaz de Oliveira.
De acordo com nota encaminhada à imprensa, as investigações começaram em virtude da ausência de repressão pela Polícia Civil de Jaú, além da exploração ilegal de máquinas caça-níqueis na mesma região. “Constatamos que havia certa conivência na atuação de alguns policiais civis. Até que conseguimos apreender certos documentos que davam lastro probatório indicativo dessa prevaricação”, informou Abujamra na entrevista.
O processo conta ainda com provas testemunhais, documentais e, sobretudo, interceptações de conversações telefônicas. Segundo as provas, muitas máquinas contrabandeadas eram originárias de Rio Claro, onde o grupo era composto também por advogados. Ele era ligado aos de Jaú, onde 15 pessoas foram presas.
Outras duas foram localizadas em Bauru e mais nove em Rio Claro, totalizando 26. Os sete não encontrados (dois em São Paulo, dois em Rio Claro e três em Jaú) são considerados foragidos. Os agentes estatais acusados omitiam-se em seus atos de ofício de combater a prática dos ilícitos e, em contrapartida, receber vantagens indevidas.