Política

DAE recua e suspende licitação

Monise Centurion
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Em seu primeiro dia de trabalho no novo cargo, o presidente do Departamento de Água e Esgoto (DAE), Rafael de Almeida Ribeiro, suspendeu a licitação para a compra das 23 unidades coletoras e impressoras no valor de R$ 370 mil para leitura e emissão das contas de água da autarquia. A data de recebimento das propostas seria hoje. Com isso, a direção da autarquia sinaliza que o contrato com os Correios de terceirização de leitura e entrega das contas deve ser mantido.

Atualmente, custa R$ 132 mil aos cofres públicos por mês. Os Correios cobram R$ 1,30 pela leitura de cada hidrômetro de um total de cerca de 100 mil aparelhos.

A renovação do contrato coincidiu com o pedido de demissão do ex-presidente da autarquia, Paulo Sérgio Campanha, que enfrentava problemas nos últimos dias diante da definição de quem passaria a fazer a leitura e entrega das contas de água.

Campanha foi localizado ontem pelo JC, mas repetiu a justificava oficial divulgada pela nota da administração municipal que saiu por motivos “pessoais”. “Não apresentei os números porque na verdade você só sabe do número exato depois da abertura do processo de licitação”, justificou o ex-presidente para explicar o motivo de não apresentar uma planilha de custo que pudesse atestar que o serviço com leituristas do DAE ficaria mais barato do que o prestado pelo serviço terceirizado dos Correios.

A abertura do processo de licitação para a compra dos coletores, anunciada pelo ex-presidente do DAE, indicava que a autarquia não iria renovar contrato com os Correios.

O ex-presidente negou que pediu demissão devido a divergência com o prefeito Rodrigo Agostinho (PMDB) por causa da não renovação do contrato dos Correios e que foi vítima de “boicotes” dentro da autarquia.

A reportagem apurou que foi na noite de sexta-feira que Campanha pediu demissão do cargo, após conversa com o prefeito no gabinete.

Hoje, Rodrigo se reúne com o novo presidente do DAE para discutir a renovação do contrato com os Correios. A direção da autarquia pretende até sexta-feira oficializar ou não a renovação do contrato.

O DAE tem até 5 de abril para comunicar oficialmente se prorroga o contrato por um ano. Com a licitação das compras das máquinas suspensas, não há mais tempo suficiente para marcar novo pregão, o que evidencia que a autarquia deve contar com os serviços dos Correios.

Anteontem, Rafael Ribeiro disse que não está descartado de o DAE assumir um setor para ir se preparando para a longo prazo retomar o serviço de leitura de água.

Audiência é suspensa

A mudança na direção da autarquia municipal fez também com que a Câmara de Bauru adiasse a audiência pública. “A convocação foi prejudicada com o pedido de demissão do presidente do DAE. Não tem como a gente convocar o novo diretor, que ainda está se inteirando do assunto. Em apenas dois dias, não haveria tempo para ele se preparar e responder os questionamentos dos vereadores”, diz o presidente do Legislativo, Pastor Luiz Carlos Barbosa (PTB).

De acordo com o vereador Renato Purini (PMDB), o novo presidente do DAE deve analisar os números. “Eu defendo o menor custo. Cabe ao presidente fazer essa análise.” O peemedebista defendeu na sessão de segunda-feira que a retomada do serviço sairia mais em conta e divulgou o valor unitário de R$ 0,84 por conta.

Ontem, o novo presidente do DAE, Rafael de Almeida Ribeiro, visitou à Câmara num encontro qualificado de “cortesia”, mas interpretado como uma forma de reduzir eventuais atritos políticos com os vereadores.

O prefeito admitiu publicamente que a retomada do serviço tinha “conotação política” e menos técnica. Tanto o PTB como o DEM decidiram apoiar os Correios. O novo presidente do DAE conversou com o presidente do Legislativo e com o vereador Renato Purini, mas alegou que não foi tratado especificamente sobre a renovação do contrato com os Correios. A audiência pública será transferida para outra data, que ainda será marcada pelo legislativo.

Ribeiro tentou no primeiro dia à frente da autarquia encarnar o perfil que o prefeito exige de seus ocupantes de cargos públicos: ser técnico e político também.

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