Doha - Como esperado, a presença do ditador sudanês Omar al Bashir causou imenso mal-estar e rachou a segunda Cúpula América do Sul-Países Árabes, ontem em Doha. Processado por crimes contra a humanidade, Bashir esperava receber o mesmo apoio manifestado um dia antes pela Liga Árabe, mas os países sul-americanos preferiram uma declaração vaga sobre o conflito em Darfur.
O tema foi evitado durante boa parte do encontro pelos líderes sul-americanos, com exceção do venezuelano Hugo Chávez, que aderiu à posição árabe e rejeitou com veemência a ordem de prisão emitida há um mês pelo Tribunal Penal Internacional (TPI).
Aumentando o constrangimento para o Brasil, a organização da cúpula posicionou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao lado de Bashir no banquete para os chefes de Estado. Surpreso, Lula acabou tendo que deixar o almoço logo no início. “Só comi salada”, disse o presidente à reportagem ao ser indagado sobre o banquete.
Segundo a assessoria da Presidência, ele e o ditador sudanês se cumprimentaram rapidamente, quando Lula saía da tenda armada para o almoço, e não chegaram a trocar palavra. Após a cúpula, o presidente brasileiro partiu de Doha sem falar com os jornalistas. Coube à chilena Michelle Bachelet deixar clara a posição sul-americana em relação ao tema mais controverso da cúpula. Após algum rodeio, Bachelet explicou a jornalistas brasileiros porque a decisão do TPI tinha que ser respeitada.