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Uso de cotas para fretamento de jato é prática usual, diz senador Tasso Jereissati

Folhapress
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Brasília - Em discurso de quase três horas ontem, o senador Tasso Jereissati (PSDB-CE) afirmou que agiu de maneira “transparente” ao pedir o fretamento de jatinhos com as sobras de sua cota de passagens aéreas e que a prática é comum entre senadores e deputados. “Essa prática do fretamento, eu fui ver, pelo menos há 20 anos é utilizada por vários senadores desta Casa. Tive o cuidado de ver na Câmara também, é usada por vários deputados”, afirmou, sem dar nomes.

Em aparte ao discurso, o senador Mário Couto (PSDB-PA) disse que já adotou o mesmo expediente. “Também tive autorização para alugar avião. Que erro cometemos?” Jefferson Praia (PDT-AM) também admitiu a prática. A “Folha de S.Paulo” revelou ontem que há quatro anos Tasso pede a conversão de passagens não utilizadas em crédito para fretamento de jatos executivos.

A prática não é permitida pelo ato da Mesa Diretora n.º 62, de 1988, que regulamenta as cotas mensais de passagens dos senadores e foi autorizada, em todos os casos, pelo então primeiro-secretário da Casa, Efraim Morais (DEM-PB).

Tasso disse que jamais pediu autorização especial para fretar os jatos. “Eu não pedi, isso é mentira”, disse. “Apenas utilizei a burocracia normal, pública, transparente, fazendo ofícios ao diretor-geral, perguntando e colocando que a minha cota de viagem, naquele mês respectivo, fosse paga à empresa TAM.”

Anteontem, o senador apresentou à reportagem 11 ofícios destinados ao então diretor-geral do Senado, Agaciel Maia, pedindo que fosse feita a conversão de suas passagens em pagamento de jatos. As autorizações foram dadas por Efraim, como o senador paraibano confirmou.

O senador afirmou ainda que a conversão de passagens em frete de jatos é uma “ferramenta colocada à disposição dos senadores”. “Se essa ferramenta deveria ser colocada ou não, é outra discussão”, afirmou.

Tasso não negou que tenha usado o jato pago pelo Senado para atividades partidárias quando presidia o PSDB, em 2005 e 2006. Disse apenas que “a vida de um senador não se resume a viagens entre Brasília e seu Estado natal”.

Tasso prometeu devolver em dobro seus gastos com aviões caso sejam identificadas irregularidades. E disse ter “prejuízo” com a atividade de senador.

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