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Lula quer ser lembrado como o presidente que emprestou ao FMI

Folhapress
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Londres - O presidente Lula disse ontem, em entrevista na Embaixada do Brasil em Londres, depois da apresentação do documento final da reunião do G20, que gostaria de entrar para a história como o primeiro presidente cujo governo vai emprestar dinheiro para o Fundo Monetário Internacional (FMI). A declaração foi feita depois que o G20, grupo dos países desenvolvidos e emergentes, decidiu destinar U$S 1,1 trilhão para socorrer países afetados pela crise financeira.

Mas, o primeiro empréstimo do Brasil ao FMI ainda depende de uma decisão fundamental: como fazê-lo de modo que o valor não seja contabilmente descontado das reservas do País.

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, afirmou ontem que técnicos da sua pasta estudam a possibilidade de o Brasil investir em títulos do próprio FMI e se esse valor poderia ser contado como “investimento” - o que permitiria, ao menos pelo lado técnico, que o dinheiro continuasse sendo contado normalmente nas reservas.

O valor do aporte ainda não foi revelado, e Mantega disse que só vai definir o montante depois de conversa com o presidente Lula. O ministro se recusou a dizer até em torno de que patamar seria a contribuição, mas aproveitou para cutucar a China, que anunciou um aporte de US$ 40 bilhões. “Se eu tivesse US$ 2 trilhões de reservas, com certeza daria mais.”

O anúncio deve sair nos próximos dias. Como condição, o dinheiro deverá servir para ajudar países emergentes, especialmente os latinos.

“Gostaria de passar para a história como o presidente que emprestou dinheiro ao FMI”, disse Lula, que já usou amplamente na campanha de 2006 o fato de ter quitado o empréstimo contraído por Fernando Henrique Cardoso (1995-2002) com o Fundo. “Você não acha chique o Brasil emprestar dinheiro para o FMI? Não é uma coisa soberana”, brincou o presidente.

Apesar do tom geral de otimismo, o brasileiro deixou uma porta aberta para tempos mais difíceis: “Agora não precisamos. Mas não tem soberba. Porque, se algum dia precisar e o Fundo por a única fonte, nós vamos atrás”.

A reforma do FMI, prevista para ser concluída até janeiro de 2011, está no horizonte do país. A cota do Brasil no FMI atualmente é de apenas 1,7% do total, apesar de o país estar atualmente entre as dez maiores economias do planeta.

Em noite inspirada após o aparente sucesso da reunião, Lula disse em entrevista que ninguém deve ter medo de “cara feia”. “Se o (boxeador) Cassius Clay tivesse medo de cara feia, tinha perdido para o Foreman naquela luta no Zaire (em 1974). Eu me considero o Cassius Clay dessa crise, quero dar uma muqueta nessa crise”, disse.

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