Bairros

Imóveis públicos abandonados são desafio

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 4 min

Imóveis sujos, deteriorados e sem nenhuma finalidade não estão apenas sob responsabilidade de proprietários particulares. A Prefeitura de Bauru, que planejou uma força-tarefa para notificar e cobrar respostas dos donos das casas abandonadas da cidade, também se vê diante de um grande desafio: dar o exemplo, proporcionando um destino adequado a dezenas de imóveis que detém.

Nos bairros da cidade, são terrenos e construções que, há muito tempo, permanecem sem utilidade nenhuma e, pior do que isso, trazem riscos para a população.

No ar no site do JC (www.jcnet.com.br), uma enquete sobre o destino a ser dado a estas edificações provocou a manifestação de dezenas de leitores. Entre eles, alguns indignados com a falta de manutenção e funcionamento de prédios municipais que, afinal, foram construídos com recursos públicos.

O almoxarife Ricardo Sato Oliveira é um dos que esperam a administração começar a fazer a lição de casa e questiona: “Como a prefeitura de Bauru pode cobrar alguma coisa, se ela mesmo abandonou imóveis e não cuida dos próprios terrenos?”.

A resposta não parece ser simples, já que, em quase todo o canto que se vá, há algo a ser feito. Ontem, a reportagem do JC percorreu seis bairros e, em todos eles, encontrou uma amostra do abandono a que estão relegados prédios e terrenos públicos.

Para o prefeito Rodrigo Agostinho, cada caso demandará solução particularizada e, dependendo dos recursos necessários para a recuperação, não será resolvido em curto prazo. “Não dá para ter uma receita para tudo e não há recursos orçamentários neste ano para fazer todos os reparos e reformas que precisam ser feitos”, observa.

Um dos exemplos que demonstram essa dificuldade é o imóvel que abrigava o centro comunitário do Jardim Guadalajara, na esquina da rua Antônio Rebuá com a avenida Manoel Duque. Abandonado, ele ainda permanece trancado e com as janelas protegidas por tapumes, mas o mato alto, aliado a amontoados de tijolos e ripas de madeira, transformou o local em terreno fértil para a proliferação de animais peçonhentos como escorpiões e cobras, além de ratos e baratas.

Destruição

Em situação ainda pior, no entanto, se encontra o prédio do antigo centro comunitário da Vila Nova Esperança, na quadra 3 da rua Sargento Joaquim Nunes Cabral. Além de muros completamente pichados e vidros estilhaçados, o portão e porta de entrada foram arrombados. De acordo com vizinhos, o entra e sai de pessoas desconhecidas no imóvel é constante.

“Isso está abandonado há uns 10 anos e o pessoal vem para usar droga, seja de dia ou de noite. A gente não sabe quem é bandido ou não é, e fica nessa situação de insegurança”, comenta a moradora Maria Izabel Alves, 45 anos.

Em outro ponto da cidade, na Vila Seabra, a aposentada Luzia Buso também teme pela presença de usuários de drogas que costumam se esconder ao lado de um galpão onde um dia funcionou a marcenaria municipal, na quadra 4 da rua Comendador Leite.

O prédio foi desativado pela prefeitura devido a problemas estruturais e, desde então, foi tomado pelo vandalismo.

“Roubaram toda a fiação elétrica, botaram fogo no fio externo do telefone, picharam as paredes e portões e quebraram todos os vidros. Não sobrou nada”, lamenta a moradora. Embora ainda seja utilizado como depósito pela Secretaria de Obras, a aparência de abandono é evidente.

Mas, para Luzia, o maior problema se encontra ao lado, onde há um extenso terreno, que liga a rua Beiruth à rua Comendador Leite, desapropriado há algum tempo pela prefeitura. Até hoje, no entanto, nenhum projeto foi elaborado para urbanizar a área.

Como não existem muros que impeçam o depósito de lixo no local, que fica em uma baixada, em época de chuvas fortes os bueiros entopem e as águas invadem as casas ao redor.

“As pessoas vêm jogar lixo à noite, o que acaba atraindo urubus e outros animais. Fora a infestação de caramujos, que se proliferam numa quantidade que só vendo para acreditar”, afirma a aposentada, que vive no bairro há 51 anos.

De acordo com Agostinho, não há interesse da prefeitura em retomar a marcenaria e o destino do espaço ainda terá de ser estudado. Ele avisa, no entanto, que uma comissão municipal está concluindo o levantamento da quantidade, localização e regularidade de documentos dos imóveis municipais para que eles sejam recuperados ou vendidos a terceiros.

“O que for bem disponível e não houver interesse da administração em utilizar serão colocados à venda. Quanto aos demais terrenos, nossa meta é garantir uma manutenção mais adequada até que se consiga construir uma obra pública no local”, destaca.

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