Polícia

Ladrão leva surra e sai sem nada

Ricardo Santana
| Tempo de leitura: 3 min

Dois ladrões foram surpreendidos pela reação de uma vítima de assalto e um deles apanhou muito antes de fugir. O fato inusitado ocorreu no início da tarde de ontem, em uma madeireira, na Vila Conceição, em Bauru.

A dupla foi direto ao escritório da madeireira, onde estava apenas o comerciante Renato Seco, 33 anos. Perguntando sobre madeira, um deles tirou da bolsa uma garrucha e anunciou o assalto. Seco conta que foi levado para o escritório ao lado da recepção.

Sempre sob a mira da arma, ele foi fazendo tudo o que os marginais ordenavam. De acordo com Seco, ao informar que não poderia abrir o cofre por desconhecer o segredo, os homens tornaram-se mais agressivos. O que estava armado colocou a mão na região do pescoço da vítima. Seco disse que ficou nervoso e, como a porta estava entreaberta, fugiu da sala e arrancou a arma do bandido. Eles saíram correndo e, no portão, Seco se atracou com um dos bandidos, que caiu no chão.

Foi quando Seco e dois funcionários da empresa, Edvaldo Henrique, 24 anos, Edson Carlos da Silva, 33 anos, passaram a chutar o ladrão, na porta da madeireira.

O alvoroço e a gritaria atraíram quem estava nas imediações da empresa, localizada na quadra 8, da rua Coronel Lima de Figueiredo, esquina com a rua Investigador Valdemir Nunes Medeiros. Fregueses do bar do outro lado da rua também passaram a agredir o ladrão.

Acalmada a adrenalina das vítimas, o ladrão se aproveitou da desmobilização momentânea do grupo e conseguiu escapar, mas foi novamente detido a cerca de 50 metros do portão do comércio de madeiras.

Foi quando Seco voltou para o interior da madeireira. A polícia foi acionada. No meio da confusão, surgiu uma pessoa conhecida no bairro e pediu para que o ladrão fosse solto, pois já teria apanhado o suficiente. Segundo informações apuradas pela reportagem do JC, o marginal fugiu em um carro que estaria estacionado próximo da madeireira, posicionado para dar cobertura. Na fuga, os marginais deixaram a arma e duas bolsas.

Seco descreveu o ladrão que apanhou como sendo branco, cerca de 1,70 metro de altura e vestindo uma bermuda jeans e camisa estampada. Ao desarmar o bandido, o comerciante teve um pequeno ferimento no dedo. Os marginais só levaram um celular de Seco. De acordo com informações, o homem que apanhou ficou bastante ferido na cabeça e na mão.

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Perigo

A garrucha usada pelos ladrões no assalto não estava carregada e, mesmo que estivesse, era pouco provável que o disparo ocorresse. Na avaliação do capitão Ézio Carlos Vieira de Melo, comandante da 4.ª Cia da PM, a arma era quase que artesanal e muito precária.

Bastante irritado pela fuga do ladrão, o comerciante Renato Seco disse que o desarme não foi calculado. Ele conta que foi um gesto instintivo, quando se sentiu ameaçado. Acrescentou que nem notou que a arma era imprestável. Mesmo assim, arriscou-se, atitude desaprovada pela polícia.

Ézio desaconselha a reação em caso de assalto. Para o capitão da PM, o comportamento da vítima deve ser o de observar o maior número de detalhes possíveis, que ajudem a identificar o marginal.

Ele orienta para que a pessoa observe tatuagens, roupas e características físicas e, se possível, para que direção o bandido fugiu. Melo pede para que a vítima informe imediatamente a PM pelo telefone 190.

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