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Bauruenses optam por beleza e praticidade na hora de arborizar

Rodrigo Ferrari
| Tempo de leitura: 4 min

Obra coletiva, a arborização urbana em Bauru poderia ser comparada àquilo que as pessoas costumam chamar de bagunça organizada: aparentemente, não tem lógica nenhuma; no fundo, porém, possui uma ordem interna, em que a estética e a praticidade são os principais fatores levados em conta.

Árvores floridas (cássias imperiais e resedás, por exemplo) ou que fazem pouca sujeira (caso do oiti) vêm ganhando disparado na preferência da população. Já espécies outrora populares, caso do do chapéu-de-sol, aos poucos vão se tornando mais e mais raras na cidade.

“As pessoas que vêm até nós pedir informações a respeito de qual espécie plantar na frente de casa costumam fazer as seguintes perguntas: as folhas caem?; como é a flor?; qual o formato da copa?; as raízes estragam a calçada?”, garante a bióloga Mariela Chaves de Cerqueira Julião, diretora do Departamento Zôo Botânico da Secretaria Municipal do Meio ambiente (Semma).

“Existe um aspecto cultural nessa história. O brasileiro é intolerante com a sujeira originada das árvores. A queda das folhas é algo natural de nosso clima. O difícil é fazer a população entender isso”, pondera Osmar Cavassan, professor do Departamento de Biologia da Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Bauru.

Na opinião do docente, a arborização de Bauru é “mal elaborada e sem planejamento algum”. “Isso se reflete no excessivo número de pedidos para poda ou supressão enviados à Semma todos os dias”, diz Cavassan.

Em 2007, a secretaria recebeu 1.379 solicitações para substituição de árvores, dos quais 646 foram deferidas; no ano seguinte, o número teve uma pequena queda e passou para 1.152, com 868 autorizações.

Só nos primeiros meses deste ano, 52 processos para substituição foram registrados na Semma, sendo que 34 acabaram aceitos. O órgão só costuma autorizar a supressão de plantas que de fato estejam colocando em risco a vida de pessoas ou alguma estrutura urbana (ameace derrubar uma residência, por exemplo); quando a espécie é tóxica ou provoca reações alérgicas nos moradores da vizinhança; ou quando a árvore se encontra com a “saúde” bastante comprometida.

Nos casos em que a planta esteja em conflito com aparelhos urbanos (seus galhos estejam enroscando na fiação de um poste, ou coisa do gênero), os técnicos da secretaria costumam buscar uma alternativa para evitar o corte. “Tentamos sempre responder o que nos foi solicitado”, garante Julião.

Ela afirma que muitos dos pedidos para supressão de árvores se baseiam em argumentos do tipo “está derrubando muitas folhas na calçada” ou “as frutas caem e sujam todo o meu quintal”. Essa difícil convivência seria resultado, em parte, da falta de conhecimento da população sobre as plantas.

“Arborizar não é só colocar uma muda na calçada e pronto. Temos de pensar em algumas questões como a forma que a copa terá quando a planta ficar adulta; as características das raízes; o tipo de fruto que a espécie produz. Além disso, será que a planta escolhida irá se adaptar às condições naturais da cidade?”, salienta Julião.

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Plano de arborização

A Secretaria Municipal de Meio Ambiente pretende iniciar, ainda este ano, um trabalho que visa diagnosticar a situação da arborização na cidade. A idéia é saber quantas árvores existem nos passeios públicos de Bauru. Além disso, o órgão tentará descobrir quais as espécies mais comuns em cada bairro.

A diretora do Departamento Zôo Botânico da Semma, Mariela Chaves Cerqueira Julião, explica que esse diagnóstico inicial servirá para traçar um Plano Diretor de Arborização para o Município. O projeto ainda não tem data para entrar em vigor.

Atualmente, novos loteamentos precisam apresentar um projeto de arborização, antes de serem aprovados pela prefeitura. Além disso, imóveis em fase de construção precisam contar com, no mínimo, uma árvore no passeio público, do contrário não podem ser regularizados.

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Espécies nativas

Nos últimos anos, a Secretaria Municipal de Meio Ambiente (Semma) tem incentivado a população a cultivar árvores nativas do Brasil, em detrimento das espécies exóticas. O professor Osmar Cavassan, do Departamento de Biologia da Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Bauru, explica que plantas naturais da região apresentam maior facilidade para se desenvolver.

“A pessoa terá menos dificuldades para cuidar da muda”, afirma. O grande problema, segundo ele, é que as espécies nativas da região (principalmente as do cerrado) são difíceis de ser cultivadas em ambientes artificiais.

Cavassan recomenda que, nos locais onde já existem exemplares da flora nativa, os espécimes sejam preservados. “Assim você não terá o trabalho de cultivar. Basta manter o que já existe”, afirma. A medida poderia ser adotada nos projetos urbanísticos dos novos loteamentos, por exemplo, salienta ele.

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