Na medida em que as árvores se desenvolvem, seus galhos vão ganhando formas diversificadas, nem sempre agradáveis aos olhos de quem vê ou à cabeça de quem passa. Além de se converterem em obstáculos para os pedestres, plantas que crescem de maneira desordenada podem entrar em sério conflito com as estruturas típicas das cidades (cabos elétricos ou tubulação de água e esgoto, em especial).
“O jeito é mandar podar”, logo pensa o proprietário, cioso de seus deveres enquanto cidadão responsável. O problema é que mandar podar muitas vezes equivale a chamar o “tiozinho da rua de baixo”, dar a ele uma tesoura de jardinagem e deixar que ele detone com a árvore.
A Lei Municipal 4.368 de 1999, que regulamenta a arborização urbana em Bauru, determina que as podas só deverão ser feitas por funcionários da Secretaria Municipal do Meio Ambiente (Semma) ou por profissionais autorizados pelo órgão.
Anualmente, quase sempre em setembro, a Semma costuma oferecer cursos gratuitos à população, onde os interessados recebem noções básicas de jardinagem, além de entrar em contato com as técnicas corretas de poda.
Profissionais que participam do curso passam a constar em um cadastro mantido pela secretaria e ficar comprometidos a entregar relatórios periódicos a respeito das atividades que realizarem a partir de então.
Quando uma árvore passa a ameaçar a integridade de pessoas ou mesmo estruturas urbanas, o proprietário do imóvel tem o direito de pedir que ela seja retirada do local onde foi plantada.
A supressão da árvore só pode ser feita mediante autorização da Semma, e o deferimento do pedido só ocorre quando o risco de fato fica comprovado. Retirar uma árvore do passeio público sem autorização da prefeitura é crime sujeito a multa de R$ 500,00 por cada espécime suprimido. Poderão, ainda, sofrer a punição aqueles que efetuarem poda drástica ou envenenarem a árvore.
Interessados em ter acesso à lista de podadores autorizados pela Semma podem entrar em contato pelo telefone (14) 3235-1037. Mais informações no site http://www.bauru. sp.gov.br.
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Planejamento
Para Osmar Cavassan, o planejamento da arborização do Município deveria levar em conta certos fatores. “Primeiro, devemos nos perguntar: para que irei colocar uma árvore em determinado local? Meu interesse será paisagístico ou ecológico? Depois, temos de pensar nas características das mudas que serão utilizadas. Será que elas entrarão em conflito com postes e tubulações que passarem pelo local?”, reflete.
Cavassan cita o exemplo dos postes de fiação para desenvolver seu raciocínio: “Aqui em nossa cidade, há uma maior incidência de raios solares vindos da direção norte. Além disso, o lado oeste costuma estar mais tempo exposto ao sol. Fica claro, portanto, que se fôssemos cultivar espécies de grande porte, teríamos de colocá-las em calçadas cujas faces estejam voltadas para um desses dois pontos cardeais, ao passo que a fiação deveria estar no lado oposto.
Infelizmente, não é isso que ocorre em grande parte das ruas da cidade. Em Bauru, é comum você encontrar árvores de grande porte cultivadas embaixo de postes de iluminação.”
Além de não ter planejamento e ser mal elaborada, a arborização em Bauru também deixa a desejar no que se refere à quantidade de exemplares cultivados. Dados da Semma apontam que existem em torno de 130 mil árvores nos passeios públicos da cidade. O ideal seria que a houvesse o dobro, no mínimo.
Entre os benefícios trazidos pelas árvores ao meio urbano, estão a redução das temperaturas médias no período do verão; a diminuição nos níveis de poluição atmosférica e sonora; e aumento da umidade relativa do ar. “Elas (as árvores) podem até sujar o chão, mas o retorno que nos oferecem é infinitamente maior”, lembra o ajudante de serviços gerais Aparecido Rodrigues do Nascimento, 27 anos, funcionário de uma residência localizada no Jardim Estoril, zona sul de Bauru
O bairro integra a lista do mais arborizados de Bauru, assim como o Núcleo Gasparini, na região norte. Mary Dota, Nobuji Nagasawa, Pousada da Esperança e Centro, por seu turno, estão entre os que têm menos árvores.