Do início do curso até o recebimento do diploma, um vigilante não fica mais do que 18 dias dentro de uma sala de aula. Ao todo, são 160 horas de aulas teóricas e práticas. Depois disso, ele está “pronto” para fazer parte do “exército” da segurança privada.
Nesse tempo, o aluno aprende defesa pessoal, radiocomunicação, linguagem em códigos (a mesma utilizada pela polícia), armamento e tiro, entre outras “matérias”. Nessas aulas práticas, eles aprendem artes marciais, formas de se defender de uma pessoa armada de faca ou revólver e como utilizar uma pistola automática.
A exemplo da educação formal, a escola de vigilantes também tem suas especializações. São mais 50 horas para tornar-se apto a trabalhar com escolta armada, segurança de carro-forte, segurança pessoal e transporte de valores.
Depois de formados, a cada dois anos os vigilantes têm de voltar aos “bancos escolares” para uma reciclagem de 30 horas.
Para ser aceito no curso, o aluno tem de ter mais de 21 anos, não pode ter nenhum antecedente criminal, tem de passar por avaliação psicológica, médica e ser brasileiro nato ou naturalizado. Apesar das restrições, todo mês as três escolas de formação de vigilantes em Bauru formam cerca de 200 novos profissionais.
De acordo com dados da Polícia Federal, que fiscaliza esse tipo de serviço, existem atualmente 7.113 vigilantes legalizados em Bauru e na região. É um “exército” que não pára de crescer e, segundo o ex-integrante das Forças Armadas João Francisco Xavier, dono de uma das empresas formadoras de mão-de-obra para a segurança privada, é um mercado que está sempre contratando. “Enquanto muitas empresas estão anunciando dispensa de funcionários por causa da crise, o setor de vigilância está empregando”, compara.
Até mesmo as mulheres estão ampliando seu espaço nesse universo predominantemente masculino. Segundo Xavier, dos 60 alunos matriculados atualmente, 15 são mulheres. Na avaliação do ex-soldado do Exército, a oferta de emprego para os vigilantes poderia ser ainda maior se não fosse a concorrência dos policiais militares.
Nos horários de folga, muitos policiais faz “bicos” como seguranças em empresas e residências para complementar sua renda mensal. Embora proibida por lei, essa é uma prática comum no meio policial e muito criticada pelas empresas de segurança privada.
“(Os policiais) já ganham o pão deles e estão tirando o pão dos vigilantes. Por isso que eu digo que é uma falta de ética e de respeito”, critica Xavier. Na opinião dele, não é porque a pessoa é um policial militar que está qualificada para fazer a segurança de lugares e pessoas. “O treinamento de um vigilante é totalmente diferente daquele recebido por um policial”, observa.
Além disso, ele lembra que já foi comprovado que policial que faz “bico”, normalmente, chega cansado e estressado para cuidar da segurança da população. O melhor a se fazer, na avaliação dele, é o governo pagar um salário mais digno aos policiais, o que evitaria que eles sacrificassem suas horas de folga para trabalhar em busca de um ganho extra.
De acordo com o inspetor de segurança Ademilton Miranda, que trabalha na área de segurança privada em Bauru, existem pessoas e empresas que preferem contratar policiais porque eles já possuem armas e são capazes de agilizar a chegada da viatura policial, por causa da amizade.
Questionado pela reportagem sobre os custos para a contratação dos serviços de segurança privada, o também inspetor de segurança Rogério dos Santos, responsável por uma das 11 empresas especializadas em segurança privada em Bauru, ao lado de Miranda, disse que o valor depende de avaliações técnicas.