Você, que nunca na vida teve a oportunidade de sair do Brasil, se algum dia resolver viajar para fora, lembre-se: nunca tente transpor para suas férias a velha fórmula de Gláuber Rocha. Sair de casa com uma mala na mão e um destino na cabeça é uma atitude que pode até render um bom roteiro cinematográfico - do estilo “Férias Frustradas”, é claro -; por outro lado, é quase certo que o “filme” não irá agradar em nada a você e sua família.
De acordo com especialistas da área e viajantes experientes, o segredo para uma viagem bem sucedida é um só: planejar, planejar e planejar. Os menores detalhes podem representar a diferença entre a decepção eterna e a alegria duradoura.
“O pior erro que alguém pode cometer é sair de casa às cegas”, garante Bruna Braga Cunha Carvalho, professora do curso de turismo das Faculdades Integradas de Bauru (FIB). Turista por vocação, o professor de geografia aposentado Muricy Domingues costuma começar os preparativos para suas viagens com seis meses de antecedência - há ocasiões em que o planejamento se dá com um ano de antecipação, dependendo do destino.
“Se você quiser curtir todos os momentos da viagem, precisa se organizar”, afirma Muricy. De acordo com a coordenadora do curso de turismo da Universidade do Sagrado Coração (USC), Valéria de Almeida Oliveira, os preparativos para uma viagem bem sucedida começam na escolha do pacote turístico.
“A pessoa precisa procurar um agência de sua total confiança e explicar para qual o objetivo da viagem: se é a lazer, a trabalho, a estudo ou por motivos religiosos. Assim, o agente saberá definir o roteiro que melhor irá atender às expectativas do cliente”, diz ela.
Bruna Braga explica que cabe ao agente analisar o perfil do viajante em potencial para saber o tipo de roteiro que mais irá agradá-lo. Viagens feitas nos períodos de “alta temporada” (julho, agosto, dezembro e janeiro) costumam ser mais caras e precisam ser planejadas com maior antecedência.
“Se você vai a Nova York na baixa temporada, irá pagar de hospedagem, em média, US$ 200,00 ao dia. Se viajar para lá no Natal ou no Ano Novo, gastará mais de US$ 500,00 com diárias de hotel”, garante agente de viagens bauruense Regina Helena Braga Jacintho.
Um dos primeiros cuidados que o viajante deve tomar é com a documentação. “Cada país costuma fazer um tipo de exigência aos visitantes”, explica Bruna Braga. Para entrar nos Estados Unidos ou no México, o turista necessita de um visto emitido pelo consulado; para ir à Europa, é preciso estar com o passaporte em dia; já para conhecer a América do Sul, basta apresentar o RG em bom estado de conservação.
Conseguir um visto de entrada para os Estados Unidos nem sempre é uma tarefa fácil. A grande preocupação das autoridades da “Terra do Tio Sam” é saber se de fato a pessoa irá retornar para o Brasil.
Por essa razão, apresentar aos funcionários do consulado documentos capazes de comprovar que sua estada por lá será breve podem facilitar na hora de obter o visto. “Suponhamos que você queira viajar a Orlando a fim de conhecer a Disney World. Se você tiver consigo as entradas para o parque temático - ou mesmo as passagens de volta -, terá mais chances de ter seu visto deferido”, aconselha a professora Valéria.
Ela lembra também que a pessoa deve ser coerente nas afirmações que fizer aos funcionários do consulado. “Se, por exemplo, você disser que pretende permanecer 15 dias no Estados Unidos, mas não tiver um lugar onde se hospedar ou declarar que pretende levar consigo uma quantia muito pequena em dinheiro, as autoridades irão desconfiar. Afinal, como você irá se manter enquanto estiver por lá?”, diz.
Valéria aconselha aos viajantes usarem do máximo de sinceridade. “Você nunca deve mentir. Se cair em contradição, irão desconfiar de você e seu visto será negado”, afirma.