Tribuna do Leitor

Dogma ou demência?


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É grande o número de casos envolvendo morte e abuso de crianças e seus familiares. Segundo a ONU, em seu primeiro estudo global sobre violência infantil, 550 milhões de menores são violentados por parentes próximos, sujeitos a trabalhos de risco e mutilação genital.

A garota de 5 anos, Isabella Nardoni, em 25 de março de 2008, foi atirada do sexto andar de um edifício, em São Paulo.Os principais suspeitos pelo crime são o pai Alexandre Nardoni e a madrasta Anna Carolina Jatobá.

O austríaco Joseph Fritzl, 73, manteve a filha, Elizabeth, em cativeiro no porão de sua residência por 24 anos. A vítima deu à luz, no local, a sete filhos, frutos de estupro proveniente do pai. Três das crianças foram mantidas no subsolo, sob péssimas condições, desde o nascimento. Outra, recém-nascida, foi morta e queimada em uma fornalha por Fritzl.

Recentemente, em Pernambuco, uma garota de 9 anos de idade, molestada pelo padrasto e grávida de gêmeos, foi submetida a um aborto, que satisfaz a condição legal em dois requisitos: gravidez resultante de estupro e risco de morte durante o parto.O arcebispo dom José Cardoso Sobrinho excomungou a equipe médica que realizou o aborto, alegando a “eliminação de uma vida inocente”. Para o religioso, o aborto é um pecado grave perante as leis da igreja, sendo colocado à frente do estupro e dos homicídios.

Os dogmas religiosos, estipulados como tentativa de manter a harmonia social, estão sendo banalizados, quando levados ao pé da letra. O posicionamento do arcebispo inquietou fiéis e é contraposto aos seus princípios. Afinal, a garota violentada é uma vida inocente, vítima da crueldade humana.

Mariana C. Boaretti Cavenaghi Pereira

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