O motivo: injustiça.
Será que conseguimos mais ensinar o que é mais importante: decência, respeito por si e pelos outros diante de tanta injustiça.
O valor do bônus foi anunciado e os professores, com cara de palhaços, tiveram que engolir mais essa: diferenças de valores entre as escolas e entre professores da mesma unidade. E o pior e mais revoltante: o diretor, o vice-diretor e coordenador têm o “mérito maior”, ganhando mais que o professor que está lá dentro, com o aluno, diariamente, tentando fazer com que ele estude, com que ele dê valor ao estudo, com que ele aprenda. O professor é praticamente o único que quer que ele seja alguém, o professor que luta contra toda a merda que a sociedade faz com ele desde antes dele nascer, para que ele se salve.
Dos diretores, espera-se empenho no combate à indisciplina, honestidade em forma de trabalho e transparência, mas não é isso que acontece na prática. As escolas se tornaram ambientes em que as diretoras passam as horas dentro de suas salas, sentadas em suas cadeiras para receberem seus salários, que são. claro, “mais gordos que os dos professores”. O governo, por sua vez, não vê ou não quer ver de perto o que acontece: professores doentes com jornadas, terminando o dia exaustos, depressivos e com dores nas cordas vocais e inconformados com indisciplina que se alastra nas escolas pela comodidade e falta de comprometimento dos diretores.
Já não paramos mais para refletir, pois quando o fazemos cada um de nós se sente o palhaço perdido no palco das ilusões. Não há ambiente para elevar a educação diante de tantas injustiças ou sentir alguma recompensa nenhuma daquilo que faz. E o governo o que faz? Bônus por “mérito” - computadores em 24 vezes sem juros. Estamos há 509 anos aceitando espelhinhos de presente do homem branco.
Professores revoltados com o bônus