Estrasburgo - Líderes europeus se comprometeram ontem a enviar mais 5 mil profissionais de segurança e treinamento ao Afeganistão para reforçar a ação da Otan (aliança militar do Ocidente) na estabilização do país.
Embora elogiada como um “compromisso concreto” pelo presidente dos EUA, Barack Obama, a decisão não inclui o envio de tropas de combate para deter o avanço do Taleban e da rede terrorista Al-Qaeda.
Após dois dias de reuniões na fronteira franco-alemã, que marcaram os 60 anos da Otan e a estréia do presidente Obama em uma cúpula da aliança, os líderes dos 28 países membros superaram o impasse provocado pela oposição da Turquia e escolheram o próximo secretário-geral da organização.
Ele será o premiê dinamarquês Anders Fogh Rasmussen, que substituirá a partir de agosto o holandês Jaap de Hoop Scheffer.
A escolha só foi possível depois de superada a rejeição da Turquia, que se opunha publicamente a Rasmussen devido ao episódio das charges críticas ao profeta Maomé publicadas em 2005 por um jornal dinamarquês.
Após o encerramento da cúpula, o presidente Obama manifestou sua satisfação pelo que chamou de “consenso” em torno da necessidade de reforçar os esforços da Otan na estabilização do Afeganistão.
Obama também elogiou o apoio recebido pelos aliados europeus ao novo plano militar americano para o país asiático. “Estou satisfeito porque nossos aliados da Otan se comprometeram de modo forte e unânime em apoiar nossa nova estratégia”, disse o presidente americano. “Começamos a investir recursos reais para alcançar nossos objetivos”.
Principal tema da cúpula, a necessidade de uma estratégia comum para os esforços da Otan no Afeganistão é considerada o teste mais premente para a capacidade de união da aliança.
Falando sobre a ausência de compromisso dos europeus com o envio de tropas de combate, Obama disse que a presença de policiais e profissionais para treinar as forças de segurança afegãs era tão importante quanto soldados.
O presidente francês, Nicolas Sarkozy, cujo país concordou em enviar um novo contingente de policiais, negou que a relutância européia em enviar tropas de combate significa a “americanização” do conflito no Afeganistão e da própria Otan. De acordo com a nova estratégia dos EUA, até o fim do ano haverá dois soldados americanos para cada europeu no Afeganistão.
Tanto Sarkozy como Angela Merkel, a chanceler alemã (premiê), ressaltaram que é preciso aumentar a responsabilidade das forças afegãs na segurança do país, deixando à Otan as ações de estabilização civil. Um dos primeiros objetivos será ajudar a organização nas eleições afegãs, marcadas para agosto.