Bairros

Lojas inauguradas no início do século 20 resistem no comércio

Maíra Soares
| Tempo de leitura: 2 min

Alguns estabelecimentos permaneceram com o visual antigo de prateleiras de madeira. Outros se modernizaram, cresceram e abriram filiais. Mas todos têm algo em comum: nasceram na primeira metade do século 20 e continuam funcionando até os dias atuais. Casa Cecy, Casa São Jorge, Casa Caravalho, Casa Sampaio e A Tropical são representantes deste rol de lojas que começaram sua história há muitos anos.

Para o economista Reinaldo Cafeo, manter-se no mercado por tantos anos não é tarefa fácil. “As estatísticas mostram que somente 5% das empresas ultrapassam 15 anos de existência. O que acontece com essas casas de Bauru é que nelas existe a característica da continuidade. Novas gerações entram no negócio e modernizam essas lojas. Não são empresas de grande porte, e a presença do dono, juntamente com seus sucessores, garante a continuidade”, explica.

Paulo Milreu, gestor do Projeto de Resgate Histórico Memória do Comércio de Bauru, realizado em 2006, vê ainda mais motivos para a permanência destes estabelecimentos. “Analisando tudo o que ouvimos e pesquisamos durante seis meses de projeto, percebemos principalmente duas coisas: a garra e persistência dos comerciantes desbravadores, e um início onde foi possível se estruturar e aprender sem grande competitividade”, expõe.

Outra característica comum a todos estes empreendimentos é o envolvimento de várias gerações da família na administração. Na maioria deles o negócio começou com os avós, passou para os filhos e agora está na mão de netos.

Segundo Cafeo, a tradição familiar pode colaborar para o sucesso dos negócios, mas depende do preparo dos herdeiros. “Muitos sucessores não querem saber do negócio da família e não adquirem a cultura do negócio. Quando surge a sucessão, estão despreparados ou desinteressados. É como se, para manter a tradição, os sucessores fossem treinados para gradativamente assumirem postos importantes, sem imposição, mas de maneira que leve satisfação no trabalho realizado”, alerta.

O pesquisador da história da cidade, jornalista e editor do caderno Bauru Ilustrado do JC, Luciano Dias Pires atenta para a forte competição que estas lojas enfrentam. “É interessante perceber como estas empresas resistem à presença das grandes organizações com publicidade de alcance nacional”, diz.

Boa parte destes estabelecimentos ainda faz sua propaganda no boca-a-boca e conta com a fidelização dos clientes. Embora a estratégia tenha funcionado por mais de 50 anos, o economista alerta para os riscos desse tipo de atuação.

“O risco deste comportamento é não renovarem o público. Mesmo atuando há muito tempo no mercado, podem ser presas fáceis se houver um concorrente com mais agilidade e estratégias bem definidas. Em mercado competitivo, marketing, gestão financeira e planejamento estratégico são requisitos mínimos para sobrevivência a longo prazo”, diz.

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