Com mais de 70 anos de existência, as antigas lojas que permanecem no comércio bauruense conquistaram clientes fiéis. Pessoas que passam pelo estabelecimento quase todos os dias, nem que seja apenas para cumprimentar os donos, que só compram em outra loja se não tiver o produto que elas procuram na que ela está acostumada, e mais, pessoas cujas histórias de vida se entrelaçam em algum momento com a trajetória do comércio antigo.
A costureira aposentada Lúcia Costa Alves, 70 anos, é um exemplo deste tipo de cliente. Ela conta que sua primeira visita à “Tropical” aconteceu antes de completar 14 anos. Na época, José Issa, proprietário da loja, abriu um crediário para a mocinha. Os pais de Lúcia ficaram aborrecidos e foram conversar com Issa. Segundo Lúcia, Issa afirmou que ela era uma menina responsável e merecia confiança.
Desde o acontecido, Lúcia estabeleceu uma relação afetiva muito forte com a família Issa e diz que a loja é sua segunda casa. “Ali eu comprei minhas roupas para passear, meu enxoval, meu vestido de noiva, o enxoval das minhas filhas. Eles são como se fossem da minha família. Sempre dei preferência. Só compro em outro lugar se lá não tiver”, diz.
Outra história interessante é a da funcionária pública aponsentada Maria Helena Pioto, que faz compras na Casa São Jorge há mais de 40 anos. “Eu sempre fui muito bem atendida lá. Tendo ou não dinheiro, sempre consegui fazer compras. Tudo era baseado na confiança. Sempre mantive amizade com a família: seo Jorge, dona Linda, o Fernando e o filho dele. Muitas vezes cheguei ao ponto de me aconselhar com o Fernando sobre coisas da minha vida pessoal”, conta.
Nelson Massaki Ono, bancário, explica que vários fatores colaboram para que um cliente se mantenha fiel a um estabelecimento, como é o caso dele com a Casa Carvalho. “A qualidade do produto, o fato de estar sempre atualizado, a localização da loja, o layout, além da atenção com os clientes. Algumas vezes, quando eu pedi, chegaram até a me ligar em casa para avisar que determinado produto tinha chegado”, finaliza.