Conheci o pecuarista Carlos Guilherme, o Carlito Boiadeiro, numa manhã de sábado em sua fazenda. Descobrimos ali que seu filho menor era colega do meu no Colégio São José e, numa fala emocionante, relatou o diálogo que teve com ele na Praça Portugal. - “Pai, essas crianças do Lar Rafael Maurício não tem onde morar e nós temos tanto terreno na fazenda. Vamos dar um pedaço dela para eles”. Após um silêncio com lágrimas e forte emoção, o Carlito me disse: “Já tinha esse desejo, mas meu filho me deu, naquele momento, a certeza de que eu o eduquei para o bem. A necessidade do Rafael Maurício me ofereceu a oportunidade de conhecer, concretamente, o coração de meu filho: percebi que é do tamanho que sempre o desejei. Sou muito feliz pois, ao prover a vida de muitos jovens, realizo um sonho meu e de meu filho”.
Vi no Carlito um homem do bem. Foi ao encontro dos necessitados, sem esperar que eles lhe estendessem a mão. Sabia, e ensinou logo cedo ao seu filho, que nem sempre o mais necessitado é o que pede. Com temor de uma humilhação, sofre sem se queixar. O Carlito percebeu isso, sem ostentação. “Boy”, agora é com você, leve em frente essa missão de amor.
José Marta Filho