Uma outra variável que pode interferir no índice de internação por câncer são as cirurgias seqüenciais. Em alguns casos, a retirada de um câncer com a reconstrução da mama, por exemplo, podem ser consideradas como um único procedimento. Em outra situação, somam dois deles com duas internações, informa o presidente da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica, José Getulio Martins Segalla.
De acordo com ele, em algumas cidades onde o paciente não tem dificuldade ao acesso à saúde de qualidade, talvez existam menos internações porque os ambulatórios resolvem o problema antes dele exigir a permanência do paciente na unidade. Diante de tantos fatores, Segalla não recomenda a comparação entre os municípios. Também evita fazer relação entre os percentuais das cidades o oncologista Fábio Veloso Alexandrino, que trabalha no Hospital Estadual e no Centro de Oncologia Amavita.
Ele ressalta que, atualmente, Bauru diagnostica mais e melhor os casos de câncer. “Existe um trabalho muito grande entre a prefeitura e o Hospital Estadual que resulta em mais diagnósticos. Com esse trabalho, os número estão começando a checar na realidade”, diz. Em muitas situações, acrescenta, a identificação da doença é feita justamente quando o paciente está internado.
Em 2007, aliás, a internação era um artifício utilizado pelos médicos em Bauru para agilizar o diagnóstico, informa o também oncologista e vereador Paulo Eduardo de Souza. “O sistema estava completamente defasado em relação às necessidades dos pacientes”, informa ao ressaltar que, atualmente, a realidade é outra. Para ele, não há uma incidência maior de câncer em Bauru.
De forma geral, por conta dos maus hábitos comuns à vida contemporânea (leia matéria ao lado), a ocorrência da doença tem aumentado de forma geral, especialmente o de mama e de cólon de útero, afirma a oncologista Maura Valério Ikoma. Ela acredita que o número de internações seja maior em municípios onde o paciente não consegue se deslocar. “Talvez os de Rio Claro tenham ido para alguma outra cidade tratar e internaram pela dificuldade de locomoção. Não consegue ir num dia e voltar no outro”, avalia.
Ela acrescenta ainda que, em municípios como Jaú, é comum a família mudar-se para o centro de tratamento. “Mas isso (os dados) precisa ser melhor destrinchado”, conclui.