Uma análise dos últimos cinco assaltos registrados em Bauru, pela forma que ocorreram, indica que os ladrões “mapearam” as vítimas antes de praticar o crime. Ou seja, sabiam hábitos das vítimas e o que tinham de valor para ser levado.
Não fosse planejado, como os bandidos que levaram R$ 3 mil de um estabelecimento comercial situado na rua Rio Branco na madrugada de ontem saberiam o horário de saída dos funcionários e que havia dinheiro acumulado no caixa? Quem ladrão se arriscaria a manter reféns por 12 horas, como ocorreu no domingo, se não tivesse certeza da existência de cofre e valores que valessem a pena? Por qual razão um trio, aleatoriamente, roubaria o proprietário de uma loja de móveis, no endereço comercial, durante a madrugada, como ocorreu no sábado?
Evidências indicam que há assaltantes que, antes de praticar o crime, levantam informações sobre suas vítimas em potencial, desde horário de chegada e saída em casa, até o que guardam na residência ou empresa e se têm ou não sistema de segurança. Porém, quem descuida da segurança corre maior risco de tornar-se vítima. Por essa razão, o delegado seccional José Henrique Gomes dos Santos defende que as pessoas vivam atentas, porém não tensas.
De acordo com ele, cuidados simples podem evitar grandes dores de cabeça. Como cidadão, mas com a experiência de policial, não tira o próprio carro da garagem antes de abrir o portão pequeno da casa e checar o movimento da rua.
“Quando a rua é escura, o morador tem que dar uma volta pela quadra onde mora com o farol alto, antes de entrar em casa. Verifique se tem algum carro parado, por exemplo. Mecânico ou manual, tente abrir e fechar o portão o mais rápido possível ao chegar em casa”, recomenda. Na opinião de José Henrique, desatenção é a principal característica da maioria das vítimas. Para ele, discrição afugenta problemas até no aspecto de segurança pública.
Evitar ostentação é algo que também deve ser ensinado aos filhos, explica. Um comentário deles pode chamar a atenção de pessoas mal intencionadas, por exemplo. Uma outra orientação do delegado seccional diz respeito à contratação de funcionários. De acordo com ele, não basta conhecer apenas o candidato à vaga, mas a família dele. “Nos dias atuais existem vários meios para evitar transações de dinheiro em espécie”, acrescenta Abel Cortez, delegado assistente da Delegacia Seccional de Bauru.
Ele sugere às empresas grandes que disponham de um terminal de coleta de valores, como caixa eletrônico, na própria empresa. “Existem outras opções, como transferências eletrônicas. Também tem que evitar dinheiro em caixa”, alerta. A medida ainda evita ameaça à integridade física de funcionários, muitas vezes responsáveis por lidar com os valores. Já dentro do banco, atenção é imprescindível, já que muitos ladrões ficam de plantão nas agências para escolher suas vítimas.
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Apreensão
Discretos, quase monossilábicos, funcionários do estabelecimento comercial roubado na madrugada de ontem, assim como vizinhos da casa onde ladrões fizeram cinco pessoas reféns por 12 horas no domingo, mostraram-se apreensivos com os crimes. A maioria, no entanto, explica que manterá os mesmos cuidados tomados antes dos respectivos assaltos. Já o proprietário do comércio informou à reportagem que lançará mão de medidas extras de segurança.
Ontem, ele passou a madrugada na delegacia que, durante à noite, precisou ter as portas fechadas, por alguns momentos, devido ao deslocamento de presos no interior do plantão da Polícia Civil - justamente após a prisão dos acusados de manter cinco pessoas reféns num roubo que durou 12 horas. O plantão ficou lotado por conta da presença de vítimas, acusados do roubo e seus familiares.
Extra-oficialmente, há quem comente que vários dos roubos ocorridos na cidade sejam motivados por uma facção criminosa, na tentativa de levantar fundos para a organização.