Agudos - Agricultores da região ligados ao Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST) ocuparam, no início da manhã de ontem, a fazenda Nossa Senhora Aparecida, conhecida com Geada, no município de Agudos (13 quilômetros de Bauru). De acordo com Avelino Rodrigues, integrante da direção regional do MST e que lidera o grupo, cerca de 120 famílias se encontram acampadas, no total cerca de 300 pessoas entre homens, mulheres e crianças.
A ocupação, de acordo com os integrantes do movimento, foi pacífica e ainda hoje os trabalhadores pretendem começar a trabalhar a terra para o plantio. “Nossa intenção é permanecer na área até que todo o processo da reforma agrária e o assentamento das famílias seja concretizado”, avisou Rodrigues.
A fazenda ocupada fica numa área de 800 alqueires e, de acordo com o MST, é de propriedade da União, que recebeu a área há quase 90 anos como pagamento de dívidas. Além da fazenda Geada, outras duas áreas vizinhas, a fazenda União e a Forquilha, também se encontram na mesma situação.
O MST informou ainda que as três fazendas e outras oito áreas que ficam no município de Agudos já foram vistoriadas pelos técnicos do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) e que foram consideradas improdutivas, portanto, aptas para serem incluídas no processo de reforma agrária na região.
A direção regional do MST em Bauru cobra do prefeito de Agudos, Éverton Octaviani, a assinatura de uma licença que transfere a responsabilidade ambiental das áreas para o Estado. Procurado, Octaviani disse que assumiu o governo há pouco mais de 90 dias e que no momento se intera do assunto. “Na verdade, recebi esse documento na semana passada e ainda estou analisando a situação”, explicou o prefeito.
Octaviani ressaltou não ser contra a reforma agrária no município, mas ele disse não concordar que todas as áreas vistoriadas pelo Incra são improdutivas. “Tem fazenda nesse grupo que é produtiva, emprega famílias e gera renda”, concluiu.
Apesar de Rodrigues que comanda a ocupação na fazenda Geada afirmar que o Incra classificou a área como improdutiva, funcionários do local afirmam que ali são criadas cerca de 1.400 cabeças de gado, além de haver plantação de melancia e abóbora em cerca de 25 alqueires da propriedade.
De acordo com José Luiz Moreno, administrador da fazenda, um representante dos proprietários da área, que residem em Araraquara, estava se dirigindo para Agudos na tarde de ontem. Foi registrado um boletim de ocorrência pela ocupação. “O patrão foi comunicado logo pela manhã do fato e está tomando as providências cabíveis para resolver a situação”, informou Moreno.
Gualtiero Cicogna, gerente geral da propriedade, informou, no final da tarde de ontem, por telefone, que estava em Agudos para reunir todos os documentos necessários e dar entrada na Justiça com o pedido de reintegração de posse das terras. Sobre a fazenda pertencer à União, ele disse acreditar que isso é boato.
A família é dona da fazenda Geada e de outras duas propriedades desde 1955, informa. De acordo com ele, as terras estão em nome de Ângela Urquiza e filhos. O gerente afirma ainda que existem documentos que comprovam a posse da terra para a família. De acordo com Cicogna, a área é produtiva e está avaliada em R$ 12 milhões.