L’Aquila - Mais de cem pessoas morreram em decorrência do terremoto de ontem na cidade de L’Aquila, na Itália, de acordo com a Defesa Civil do país. Equipes de resgate irão procurar desaparecidos - que, segundo as agências de notícias, é de 250 - durante toda a noite. O primeiro-ministro italiano, Silvio Berlusconi, afirmou em entrevista à TV que o número de mortos já é de 150 - o que ainda não foi confirmado pelas equipes de emergência.
O número de feridos passa de 1.500, dos quais cerca de 60 foram resgatados com vida dos escombros, segundo os bombeiros. Os trabalhos seguem à noite, sob a chuva, em um centro histórico deserto, do qual a maioria dos moradores teve de sair - em todas as ruas do centro houve desabamentos, informam as testemunhas.
O terremoto, que deixou ao menos 50 mil pessoas desabrigadas e destruiu mais de 10 mil imóveis - incluindo pontos turísticos -, foi o pior, em número de mortes, dos últimos 29 anos. O maior, antes, era o de 23 de novembro de 1980, que chegou a 6,5 graus na escala Richter e matou ao menos 2.735 pessoas. L’Aquila é a capital da região de Abruzzo e fica em um vale cercado pelos Montes Apeninos. O tremor aconteceu às 3h30 de ontem (22h30 de domingo, em Brasília).
Magnitude
Há divergências sobre a magnitude do terremoto. De acordo com o Centro de Pesquisas Geológicas dos Estados Unidos, o tremor atingiu 6,3 graus na escala Richter, enquanto o Instituto Nacional de Geofísica da Itália afirma que a magnitude foi de 5,8 graus. De acordo com a escala Richter, os tremores entre 5,5 e 6,0 ocasionam pequenos danos em edificações. Entre 6,1 e 6,9 podem causar danos graves em regiões muito populosas.
Estado de emergência
O primeiro-ministro Silvio Berlusconi declarou estado de emergência ainda pela manhã de ontem, cancelou a viagem que faria à Rússia, e já começou a pedir recursos federais para ajudar as vítimas do desastre. Berlusconi sobrevoou a região e, em entrevista coletiva, desconversou sobre a polêmica criada em torno de um aviso que o governo teria recebido da tragédia.
O primeiro-ministro afirmou que irá se “concentrar em conseguir esforços para a população e que depois irá discutir sobre a possibilidade de se prever terremotos”.
Das cerca de 15 mil edificações destruídas somente em Abruzzo, algumas tinham importância histórica. O centro da cidade, por exemplo, foi interditado. Houve danos também em Roma.
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Local é cenário de ‘O feitiço de Áquila’ e ‘O nome da rosa’
L’Aquila - A região de L’Aquila, na Itália Central, abriga alguns dos monumentos medievais mais bem preservados do país europeu, além de prédios históricos que remontam ao Renascimento e à época do Império Romano.
A cidade de L’Aquila foi construída a mando de dois imperadores alemães do Sacro Império Romano-Germânico, Frederico II e seu filho Conrado IV, ao longo do século XIII. A região passou a integrar o reino de Nápoles no século XIX.
Na região de Áquila também ficam as ruínas da cidade romana de Amiternum. Fortalezas medievais, como a chamada Rocca Calascio, e montanhas da área serviram de cenário para filmes como “O feitiço de Áquila” (1985) e “O nome da rosa” (1986).
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Sismólogo diz ter previsto tremor
Roma - O sismólogo Giampaolo Giuliani, do Instituto de Astrofísica da Itália, previra para 29 de março um terremoto na região de Abruzzo, a partir do movimento de gases no subsolo. Mas Giuliani foi desacreditado pelas autoridades, e seu método é questionado por especialistas.
“Dias atrás, notamos um forte aumento no nível de radônio (gás radioativo no solo). E isso significa um forte terremoto”, disse Giuliani ao “Corriere della Sera”. Há cerca de um mês, com alto-falantes, Giuliani sugeriu aos moradores da região que abandonassem suas casas. A Defesa Civil italiana acusou-o de “disseminar o pânico”. Ontem, o sismólogo seguia defendendo que sua previsão estava certa, apesar de antecipar a data em uma semana, e exigia do governo italiano um pedido público de desculpas.
Mas especialistas ouvidos pela reportagem sustentam que é impossível prever terremotos, já que não há método garantido ou de consenso na comunidade científica.
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Brasileiros
Segundo o Consulado do Brasil em Roma, ainda não há informações sobre brasileiros feridos. Nenhum brasileiro entrou em contato com o serviço consular para alegar problemas causado pelo terremoto. Até o final da noite de ontem, o Consulado não soube precisar o número de brasileiros que vive na região de Abruzzo.