Bagdá - O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, afirmou ontem, durante a sua visita-surpresa a Bagdá, capital do Iraque, que os “próximos 18 meses” podem ser “críticos” para o país. “É hora, para nós, de transferir (o controle) para os iraquianos. Eles precisam assumir as rédeas de seu país”, afirmou Obama. Esta é a terceira vez que Obama vai ao Iraque, a primeira desde que chegou à Casa Branca.
De acordo com o americano, o objetivo da sua visita era “expressar seu agradecimento aos soldados” por seu “extraordinário trabalho”. O presidente comemorou “progressos políticos significativos” alcançados pelo Exército dos EUA no Iraque e confirmou a intenção de retirar os 144 mil soldados que permanecem naquele país até agosto de 2010.
Para Obama, com a realização de eleições no Iraque, em dezembro que vem, “muitas das questões pendentes podem começar a ser resolvidas”.
Segundo o porta-voz da Casa Branca, Robert Gibbs, inicialmente, a previsão era de que, após o pouso do avião presidencial americano, o Air Force One, Obama seguisse, em um helicóptero, para Bagdá, onde se reuniria com o premiê iraquiano, Nuri al Maliki, e com o presidente, Jalal Talabani. O mau tempo, porém, inviabilizou a viagem.
Obama seguiu, por terra, para a base aérea americana de Camp Victory, onde Maliki deverá encontrá-lo. Na base, Obama se reuniu com o comandante das tropas americanas no Iraque, o general Ray Odierno. Durante a visita à base, Obama ainda participará de cerimônia para a entrega de dez medalhas.
Em mais de cinco anos de ocupação do Iraque, os EUA gastaram cerca de US$ 1 trilhão e sofreram mais de 4.250 baixas.
O plano de Obama para a retirada dos americanos do país envolve a saída de 92 mil a 107 mil e a manutenção de uma força de segurança “de 35 mil a 50 mil homens” no país, com a retirada completa até o final de 2011, seguindo os prazos do acordo de segurança assinado pelo antecessor George W. Bush (2001-2008) com os iraquianos, no final do ano passado.
Obama chegou ao país horas depois de um carro-bomba explodir no norte de Bagdá, deixando ao menos oito pessoas mortas e outras 14 feridas. Embora os ataques terroristas ainda sejam parte da rotina iraquiana, o país teve, em março, o menor número mensal de soldados americanos mortos em ação desde o início da Guerra do Iraque, em 2003.
Segundo o site Icasualities, que monitora as mortes na guerra, quatro soldados morreram no mês passado no país, contra onze soldados no último mês de fevereiro. Dados do Ministério de Saúde iraquiano indicam que o número de civis mortos também caiu, de 211 em fevereiro para 180 em março. O número, contudo, não é uma baixa recorde, já que, em janeiro, foram registradas 138 mortes de civis.