Lima - O ex-presidente do Peru Alberto Fujimori (1990-2000) violou os direitos humanos e receberá uma condenação pelos crimes cometidos, anunciou ontem o juiz César San Martín, um dos principais responsáveis pelo caso. A pena ainda não foi divulgada, porém o Ministério Público, autor das acusações, havia pedido 30 anos de prisão.
Esta é a primeira vez que um presidente da América Latina que foi democraticamente eleito é considerado culpado, pela Justiça do próprio país, por violação de direitos humanos. O júri de Fujimori, que já dura 15 meses, é conduzido por uma equipe de três juízes.
Fujimori é acusado de ter organizado um grupo de extermínio no Exército e, desta forma, orquestrado dois massacres e os sequestros de dois opositores. Ele nega a acusação e diz acreditar que ficará conhecido como o presidente que devolveu a tranquilidade ao Peru. “As quatro acusações estão comprovadas, acima de qualquer dúvida razoável”, confirmou o juiz San Martín.
Como o ex-presidente tem 70 anos, com a condenação ontem, é provável que ele passe o resto da vida na prisão.
Fujimori contava com altos índices de aprovação por parte dos peruanos por ter controlado a economia daquele país e derrotado o grupo insurgente maoísta chamado Sendero Luminoso. Um escândalo de corrupção, no entanto, prejudicou sua imagem em 2000, ano no qual ele decidiu se exilar no Japão.
Ontem dezenas de simpatizantes de Fujimori compareceram à base policial onde o ex-presidente está preso, em Lima. Anteontem famílias de 25 vítimas do grupo de extermínio liderado por Fujimori levaram fotos dos mortos e realizaram uma vigília à luz de velas diante do Palácio da Justiça.