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Novos tremores na Itália mantêm alerta

Folhapress
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Áquila - Desde a madrugada de segunda, quando o terremoto mais letal em três décadas na Itália atingiu em cheio o seu quarteirão, o estudante português Gustavo Botelho tenta voltar ao apartamento que divide com três colegas, no centro histórico de Áquila.

Na primeira tentativa, logo após o tremor que matou 235 pessoas, de acordo com a última contagem, foi dissuadido pelo rombo aberto no telhado, a nuvem de poeira e as largas rachaduras nas paredes. Na segunda vez, ontem, foi avisado pelos bombeiros para manter-se afastado, devido ao perigo iminente de novos choques.

O alerta não era em vão. Pouco depois, enquanto as equipes de salvamento completavam seu segundo dia de buscas por sobreviventes nos escombros, a terra voltou a tremer na região de Abruzzo, e especialmente em sua capital, Áquila. A intensidade foi de 5,6 na escala Richter, pouco menor que o devastador terremoto de anteontem (que atingiu entre 5,8 e 6,3, dependendo da medição).

Dessa vez não houve vítimas, mas o novo sismo, que chegou a ser sentido até na capital, Roma, a mais de 100 km de Abruzzo, manteve entre os italianos a tensa expectativa de que o pior pode se repetir. Além disso, reavivou entre os sobreviventes a memória dos 20 segundos de horror da segunda-feira.

Só ontem, ao ver a poeira recriada pelas escavadeiras da defesa civil, Gustavo se deu conta do que ela lhe lembrou na noite do terremoto. “Parecia o 11 de Setembro”, disse o estudante de 21 anos, que refugiou-se na casa de amigos em Pizzoli, pequena aldeia ao lado de Áquila.

Cidade universitária, conhecida por receber estudantes do mundo inteiro, Áquila transformou-se num enorme campus em luto. Enrolados em cobertores, abraçados e com os olhos vermelhos, dezenas de jovens aguardavam notícias de colegas.

Novos danos

Antes do mais forte, já no início da noite, vários outros tremores secundários foram sentidos ontem em Áquila e nas outras duas dezenas de cidades da região atingidas pelo terremoto de segunda, prejudicando os resgates. Alguns prédios desabaram de vez e construções históricas sofreram novos danos, como a basílica de Áquila, que perdeu parte do teto (leia boxe).

O número oficial de desabrigados caiu para 17 mil, três vezes menor que o estimado inicialmente. O governo italiano montou vários acampamentos para os que perderam suas casas com barracas familiares e cozinhas comunitárias. O maior inimigo passou a ser o frio, que cai a 5ºC à noite.

O número de mortos aumentou durante todo o dia de ontem, à medida em que prosseguiam os trabalhos dos bombeiros. Num dos momentos mais dramáticos do resgate, um bombeiro da cidade costeira de Pescara encontrou a filha, que estudava em Áquila, morta sob os escombros.

Mas também houve lances de pura sorte. Maria D’Antuono, 98 anos, foi resgatada sem ferimentos após ficar 30 horas presa nas ruínas de sua casa, também em Áquila. Aos bombeiros que quiseram saber o que fizera durante a espera, ela respondeu: “Fiz crochê”.

Berlusconi aceita ajuda

O primeiro-ministro Silvio Berlusconi voltou atrás em sua recusa à ajuda internacional e pediu ao presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, que assuma a reconstrução da igreja e dos bens culturais históricos danificados pelo terremoto que atingiu a cidade medieval de Áquila e destruiu cerca de 10 mil edifícios, entre eles uma parte do patrimônio histórico da cidade.

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