As nove mortes registradas na região - em Piraju, Sarutaiá, Itatinga e Buri - nas últimas semanas por suspeita de febre amarela colocaram as autoridades sanitárias de Bauru em alerta. Embora nenhum caso ou pessoas com sintomas da doença tenham sido confirmados na cidade, a Secretaria Municipal de Saúde irá iniciar uma força-tarefa para localizar macacos mortos nas áreas de mata que possam ter contraído o vírus da moléstia.
De acordo com o titular da pasta, Fernando Monti, a medida visa recolher os animais e encaminhá-los para exames laboratoriais que poderão definir a causa de suas mortes. A data da operação, prevista para ter início na próxima semana, assim como os métodos a serem adotados, serão definidos na manhã de hoje, em reunião marcada pela secretaria com representantes da Vigilância Epidemiológica e Vigilância Sanitária do município, Secretaria Municipal de Meio Ambiente, técnicos do Zoológico Municipal, da Vigilância Epidemiológica do Estado de São Paulo e da Superintendência de Controle de Endemias (Sucen).
O objetivo será buscar indícios da forma silvestre da febre amarela na cidade para que medidas preventivas possam ser tomadas, caso haja confirmação, ou tranqüilizar a população, em caso de negativa. “Alguma coisa está acontecendo na natureza, que modificou o ciclo de transmissão silvestre da febre amarela, dentro do Estado, e precisamos descobrir o que é para que aumentar nossa segurança”, avalia. A princípio, a idéia é ingressar na mata com o suporte e orientação dos técnicos do zoológico e de outras entidades que venham a se envolver na iniciativa.
Desde janeiro, pela suspeita de contaminação urbana da doença em regiões próximas, Bauru é considerada zona de risco para a forma silvestre da febre amarela. Por estar situada em uma região permeada por áreas verdes, onde habitam pelo menos duas espécies de sagüis que não possuem predadores naturais, a cidade encontra-se em situação particularmente perigosa.
“Esses sagüis se multiplicaram muito. Em outras cidades, não é fácil ter contato com macacos, mas aqui é. Em razão dessa circunstância é tão importante fazer essa avaliação. Se nada for encontrado, pelo menos poderemos respirar aliviados”, pondera Monti. Se os macacos estiverem contaminados pela febre amarela, o medo é que o vírus chegue à zona urbana e se dissemine por meio do vetor, que é o mosquito Aedes aegypti. O último caso de febre amarela urbana foi registrado em 1942, no Acre.
Paralelamente a isso, a Secretaria de Saúde já solicitou ao Instituto Adolfo Lutz, que há um ano e meio realiza pesquisas em Bauru com animais silvestres, para que os materiais biológicos coletados neste período sejam analisados para identificar possíveis contaminações por febre amarela. “Eles capturam animais, inclusive macacos, com outros objetivos de estudo”, comenta.
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Vacina
A Secretaria Municipal de Saúde recebeu ontem 20 mil doses da vacina contra a febre amarela, enviadas pelo Estado devido ao aumento da demanda por imunização. O volume é maior do que o esperado, que era de 8 mil doses.
De acordo com o titular da Secretaria Municipal de Saúde, Fernando Monti, caso a procura pela vacina permaneça a mesma dos últimos dias, o lote será suficiente para imunizar a população pelos próximos 30 dias. Conforme divulgou o JC na última terça-feira, das dez unidades de saúde procuradas pela reportagem, três já estavam sem suprimentos para prevenir a doença. “As doses já estão sendo distribuídas de acordo com a necessidade de cada unidade. Estamos acompanhando o ritmo de consumo e faremos a distribuição da maneira mais ágil possível”, conclui o secretário.