Tribuna do Leitor

Insensibilidade


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Não sei quando começou, mas hoje, com a globalização e o excesso de população, fica bem clara a infeliz condição humana no planeta. Por mais que a ciência e as religiões tentem explicar, não há o que me convença da tão falada superioridade de nossa espécie sobre todas as outras formas de vida da Terra. Temos sim um nível de consciência que nos difere das demais espécies e que nos permite construir, modificar, inventar e... submeter os outros seres as maiores crueldades em nome da nossa suposta superioridade. Temos condições mentais que nos permitem escolher nossas ações. No entanto, entre uma opção e outra, na maioria das vezes escolhemos a pior para todos os outros seres, nossas escolhas são movidas pela ganância e egoísmo. Destruímos tudo o que nos rodeia. Consumimos tanta inutilidade que, além de comprometer nossa saúde causamos um impacto irrecuperável ao meio ambiente. Pensamos que viver na Terra significa usufruir sem responsabilidade até a exaustão dos recursos naturais. Achamos que, explorar, dizimar, degradar, devastar, é o caminho para nosso sucesso material. A insensibilidade e a burrice tomaram conta das nossas ações.

Delegamos o poder de decisão para pessoas que não tem a menor noção da fragilidade do equilíbrio para a manutenção da vida no planeta. No Brasil, a desigualdade é tanta quanto à ausência do bom senso. O enriquecimento que se dá por meio de corrupção, da usurpação do que é público, do tráfico de drogas, ou qualquer outro meio ilícito, imoral e antiético, muito longe de serem punidos são aceitos, admirados e até alvo de inveja. A sociedade já não se importa mais em como o “bacana” enriqueceu, quer sim ser um dos convidados para a festa na megaconstrução erguida com dinheiro sujo de sangue, suor e lágrima - não do próprio proprietário - mas do brasileiro comum submetido a todas as formas de injustiça. É tudo uma grande confusão entre a busca da felicidade e o jeitinho brasileiro de se dar bem a qualquer custo. O conceito de felicidade deve abranger não só a de cada um em particular, mas a de todos. A paz de espírito só existe quando os benefícios gerados pelos avanços da sociedade podem ser compartilhados por todos, da comunidade, do planeta e do universo. Paz! Muita paz de espírito para todos nós!

Lúcia Reis - ONG Águas do Serrote - Duartina

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