A pró-atividade do prefeito Rodrigo Agostinho é vista com bons olhos pelo professor doutor de história política da Universidade Estadual Paulista (Unesp), câmpus de Bauru, Maximiliano Martin Vicente. Mas ele afirma: até agora, os problemas estruturais da cidade não foram atacados. Vicente cita como pontos que já deveriam ter entrado em discussão a questão da água, a inserção de Bauru no contexto do Estado e as metas para o mandato.
“Qual o prioridade de Rodrigo para o mandato?”, pergunta Maximiliano Vicente. E, segundo ele, não vale dizer que tais prioridades estão definidas no plano de governo discutido durante a campanha, já que ele é muito amplo. O que é preciso, segundo Vicente, é estabelecer uma prioridade, e a partir daí traçar um plano de outras prioridades. Por exemplo: define-se como prioridade o desenvolvimento industrial. A partir dessa meta, discute-se todo o nicho que vem no entorno dela, como asfalto nos distritos industriais, acessos à cidade, creches, moradias e assistência médica.”
Ao analisar os primeiros 100 dias de governo de Rodrigo Agostinho, Vicente avalia que está claro o envolvimento que o prefeito tem com as coisas da cidade, o que a população e entidades representativas da cidade também destacam em suas análises e colocam como ponto de destaque da nova administração. “Rodrigo é ativo, dinâmico. O que está em jogo é a vida política. E isso ocorre porque prefeitos anteriores enterraram a vida pública na prefeitura, coisa que claramente o Rodrigo Agostinho não tem interesse”, avalia.
Os elogios pela pró-atividade e o dinamismo, porém, podem ser rapidamente substituídos pela crítica se os resultados demorarem a aparecer. Para Vicente, a “lua-de-mel” deve acabar no segundo ano de mandato. “Está claro que Rodrigo vai estar sempre presente na cidade, mas isso é dever de ofício. A cidade não sobrevive só com isso. E, por enquanto, o que as pessoas estão vendo são viagens a Brasília em busca de recursos. E só. No ano que vem, quando a atual administração estiver sob a batuta do Orçamento preparado por ela, as pessoas vão cobrar os resultados das viagens a Brasília. Vão se lembrar que a proximidade com o Governo Lula como facilitador de recursos foi amplamente citada na campanha eleitoral”, avalia Vicente. “Nestse ano, o governo municipal ainda vai ter um desconto por causa da crise econômica, que afeta a todos, indistintamente. No ano que vem, quando as coisas começarem a melhorar, como supõe os analistas econômicos, a população também vai querer ver melhora em suas cidades”.
Até por conta disso, na opinião do professor de história política, Rodrigo precisa definir um norte para seu governo ainda neste ano e traçar metas de desenvolvimento. “Mas é preciso ter profissionalismo. Não adianta apenas focar políticas e problemas do dia-a-dia.”