Política

Portas abertas para imprensa facilitam cobranças

Márcia Duran
| Tempo de leitura: 5 min

Rodrigo Agostinho tem crédito em seu saldo com a imprensa. A seu favor, conta o fato de estar sempre de portas abertas aos jornalistas e com o celular ligado. O que os profissionais ouvidos pelo JC esperam é que, além de ter começado bem, ele consiga acelerar as soluções, já que os problemas que a cidade apresenta são grandes, talvez até maiores do que ele esperava encontrar.

“Eu acho que o Rodrigo se surpreendeu com os problemas que ele encontrou. E eles não foram gerados no mandato do Tuga. Vêm de vários governos passados, que negligenciaram e não resolveram. É impossível fazer 20 anos em 100 dias. A gente tem que dar mais um pouco de tempo”, analisa o âncora do programa Balanço Geral, da Record, Sandro Pires.

Assim também pensa Zarcillo Barbosa, articulista do JC e comentarista da 96 FM. “Rodrigo surpreendeu pela disposição em fazer um bom governo.” E emenda: “Para quem esperava pouco, os primeiros 100 dias da gestão foram muito bons. Se fosse outro, o prefeito, também eu estaria contente se ele conseguisse coletar o lixo. Bauru está endividada, a administração é ineficiente por causa da estrutura antiga e viciada.”

O empresário e analista da TV Preve, Gerson Duda Trevizani, acredita que o maior desafio de Rodrigo será a viabilização financeira. “Bauru tem um problema de caixa seríssimo e, se ele não conseguir verbas a fundo perdido, movimentar o governo do Estado, com o Orçamento do município ele não vai longe. A gente reconhece que ele está correndo atrás, mas ainda não arrumou nada. Estamos torcendo por ele.”

Além do equilíbrio financeiro, questões como buracos no asfalto e saúde, são citadas por todos os jornalistas entrevistados. “O que pega para a população, na minha opinião, é a questão da infra-estrutura e saúde. Mas tem que dar um tempo, a coisa não é imediata”, pondera Giuliano Tamura, âncora do Tem Notícias Primeira Edição. Para ele, Rodrigo tem que compor com as forças políticas de Bauru e região. “Ele fez um trabalho muito bonito, antes de assumir, de ir a Brasília, de passar o chapéu lá. Precisa tentar o apoio do Pedro Tobias, que tem uma força muito grande dentro do PSDB, que governa de São Paulo. Também tem que tentar recursos com o João Herrmann, que é deputado federal. Sem dinheiro não se faz nada.”

Zarcillo lembra o encontro de Lula com o presidente dos EUA, Barack Obama, para tentar explicar o tamanho do desafio do prefeito de Bauru. “Rodrigo não é Obama, a quem Lula disse não invejar por assumir num momento de crise mundial. Mas vai ter que mostrar talento para lidar com inevitáveis quedas de arrecadação que vão bagunçar o Orçamento daqui para frente. Na dificuldade, é hora da habilidade”.

Ele ressalta que o prefeito cometeu poucos erros. “Nem dá para contabilizá-los. Aumentar os vencimentos dos funcionários sem a participação da Câmara foi só uma bobagem. Tem que aprender a dividir com os vereadores os farnéis da bondade. Na hora da desgraça, o poder é solitário. Negar equivalência de benefícios aos aposentados é morte certa.” Pires convoca todos a sair do comodismo para transformar Bauru, sem deixar de cobrar o prefeito. “Todo mundo tem que se engajar: prefeito, secretários, vereadores, os servidores e até a população para reverter essa situação que acontece aqui.”

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Fora do Gabinete

A impressão que se tem é que o prefeito de Bauru, Rodrigo Agostinho, está em todo lugar: da inauguração da praça às baladas, da recepção a autoridades às festas das associações de moradores. E a imprensa gosta disso. Ele dorme pouco - de cinco a seis horas por noite. Dorme tarde e acorda cedo. Também foi aplaudida pelos jornalistas a iniciativa de Rodrigo de divulgar os celulares de seu secretariado e presidentes da Emdurb e do DAE já nos primeiros dias de governo. Atende o próprio celular e também liga nas redações para passar pauta. Fica pouco em seu Gabinete. Gosta de estar nas ruas e conversar com as pessoas. “É a oportunidade dele ver os problemas e também ser cobrado. Se eu fosse prefeito, eu gostaria de ser cobrado. De ser lembrado a todo momento daquela minha proposta inicial”, comenta Pires. Tamura concorda: “O Nilson era mais de Gabinete. O Tuga também. Ele tem dado mais a cara para bater.”. Duda Trevizani resume: “É um prefeito presente”.

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Estilo facilita charge

Chargista do Jornal da Cidade há mais de 18 anos, Fernando Dias nunca tinha retratado Rodrigo Agostinho como vereador em seus dois mandatos.

Durante a campanha à Prefeitura de Bauru, no ano passado, vieram os primeiros traços do artista na página 2 do JC, elogiado até mesmo pela mãe do prefeito, Valéria Agostinho.

“É fácil retratá-lo. Ele é jovem. E tem o jeito como se veste, o cabelo, tudo ajuda na caracterização”.

Fernando garante que Rodrigo nunca reclamou do humor de suas charges. “Ele é um cara bacana”.

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Impôs seu estilo caçador da arca perdida, sem chapéu, mas de borzeguins enlameados e mochila às costas. Tem esse direito. Principalmente porque não o fabricou. Já era assim.” Zarcillo Barbosa, articulista do JC e comentarista da 96FM

Se é gente jovem e está indo bem no secretariado, mantém, mas, se não estiver, terá que trocar. Não adianta ele ficar jurando amor eterno para amigo de infância.”

Duda Trevizani, empresário e comentarista da TV Preve

Ele está preparando o alicerce da casa e, muitas vezes, o alicerce demora mais para ser construído do que as paredes e o telhado.” Sandro Pires, âncora do Balanço Geral, da Record

Ele foi candidato sabendo do pepino que viria pela frente, mas pegou um rabo de foguete.” Giuliano Tamura, âncora do Tem Notícias Primeira Edição

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