O consumidor que habitualmente gasta a sola do sapato ao subir e descer a rua Batista de Carvalho, principal corredor comercial da cidade, terá em breve um atrativo além da maior concentração varejista de Bauru. Graças a um projeto de resgate histórico, idealizado pelo jornalista Luciano Dias Pires, editor do suplemento Bauru Ilustrado, publicado mensalmente pelo JC, quem percorre a Batista hoje terá a oportunidade de visualizar a mesma muitas décadas atrás.
Esse legítimo “túnel do tempo” será viável graças a iniciativa de Dias Pires, que, também historiador, mantém vasto material sobre a Bauru de outrora, que, no caso da Batista de Carvalho, será compartilhado com a população por meio de uma exposição permanente de fotografias fotografias que remetem a diferentes fases do principal corredor comercial da cidade. Entre as imagens a serem expostas, figuram perspectivas pouco conhecidas desde a torre da antiga igreja Matriz - atual Catedral - até tradicionais estabelecimentos comerciais que marcaram época.
A idéia, ainda em fase embrionária, de acordo com Pires, será amplamente discutida em reunião, prevista para os próximos dias, entre ele representantes da classe comercial bauruense.
Segundo o historiador, as imagens ficariam expostas em horário comercial, em painéis montados entre as quadras 1 e 7 do Calçadão, entre as ruas Monsenhor Claro e Gustavo Maciel. Cada quarteirão, detalha Luciano, acomodaria até quatro painéis, que, além das imagens, exibiriam ainda legendas com aspectos históricos.
As fotografias, conta o jornalista, retratam peculiaridades do comércio na rua desde os anos 20 do século passado, quando a Batista de Carvalho se tornou referência na atividade varejista em Bauru. “Seria uma autêntica reconstituição do comércio dos velhos tempos, em justa homenagem à memória daqueles que acreditaram na predestinação da nossa Bauru”, enaltece.
Com imagens de antigas empresas, entre elas a Casa Cristo, Tipografias e Livrarias Brasil, Casa Pagani, Casa Ribeiro, Loja Síria, Casa Nicola, Real Modas, Casa Royal, Casa Lusitana, entre outras que, de acordo com Dias Pires, tiveram seus dias de glória no comércio do passado, o passeio por épocas remotas pelas das imagens, a maioria em preto e branco, traça um paralelo entre todas as fases da principal rua comercial de Bauru, que, observa o historiador, não teve importância diminuída mesmo com o estabelecimento de centros varejistas em outros pontos da cidade. “O trabalho será importante para o resgate, preservação e divulgação de lances do passado de Bauru, principalmente no que concerne à vida comercial da Batista de Carvalho, em grande parte responsável pelo progresso da ‘Sem Limites’”, valoriza.
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Ponto estratégico
Segundo Luciano Dias Pires, a vida comercial na Batista começou ainda em meados da primeira década do século passado, quando pequenos vendedores de mantimentos e vestuário montaram pequenos pontos de comércio no trecho compreendido entre a atual rua Araújo Leite e o canteiro de obras da ferrovia Noroeste do Brasil. Com a chegada cada vez maior de operários, que passavam diariamente pela Batista rumo ao pregar dos trilhos, vendedores aproveitaram o fluxo para estabelecer o que seria a principal concentração comercial bauruense, condição mantida um século mais tarde. “A partir do crescimento da Batista de Carvalho, a área de comércio se expandiu a 1.º de Agosto e travessas”, explica. “Se a nossa história não for preservada, respeitada e divulgada, povo e cidade perdem sua identidade”, ensina Luciano.