Política

Rodrigo se diz contente com resultado da consulta popular

Monise Centurion
| Tempo de leitura: 5 min

O prefeito Rodrigo Agostinho (PMDB) disse ontem que ficou contente com o resultado da consulta popular encomendada pelo Jornal da Cidade ao Instituto de Pesquisa do Comportamento (IPC), publicada na edição de ontem. A pesquisa mostra que Rodrigo tem aprovação da população bauruense essencialmente em razão de seu prestígio e atributos pessoais. Porém, na avaliação de suas ações de governo por áreas e políticas públicas, o desempenho foi considerado negativo.

“Tenho consciência disso. Tem um monte de coisa que a prefeitura está fazendo e a cidade não vê. Bauru ficou muitos anos parada. Até que as coisas efetivamente funcionem de forma adequada, você tem diferentes percepções dentro da mesma cidade.”

O desempenho pessoal do chefe do executivo teve a nota média de 8,6. Foi aprovado por 79% dos entrevistados (bom e ótimo 47% e regular 32%). Apenas 18% reprovam. Já na avaliação de suas ações de governo por áreas e políticas públicas, o desempenho foi considerado negativo. As áreas que receberam pior avaliação foram saúde, com média de 61,5% de reprovação; conservação de ruas e avenidas, com 59% de rejeição; obras, com 50,6% de rejeição; e lazer, com 47,9% de notas reprovadoras. De 19 itens pesquisados, em 11 o governo é reprovado (entre eles as áreas mais sensíveis ao povo) e em oito quesitos, aprovado. A assistência médica, seja ambulatorial (núcleos de saúde) ou de urgência e emergência (prontos-socorros), setor mais sensível à população, é onde está sua maior rejeição em termos de ações de governo.

“Muita gente vai me criticar, mas disso eu tenho uma clareza muito grande, até que eu possa mudar todo o sistema de saúde para que a população possa dizer: ‘nossa, a saúde de Bauru é de primeiro mundo’, vai levar tempo. Nós ficamos esses primeiros meses para fazer o concurso dos médicos, nós vamos demorar um ano para reformar as unidades básicas de saúde. Tudo isso demanda tempo”, afirmou Rodrigo.

Segundo o prefeito, há várias percepções sobre a cidade que refletiram no resultado da consulta. “A expectativa das pessoas quanto se muda uma administração é como se a cidade estivesse mudando de lugar. Só que ela não vai mudar de lugar, mudar de cor. Vários serviços para que efetivamente a população sinta a diferença, leva tempo. A percepção das pessoas é diferente da minha. Parece que a gente não está trabalhando, mas a gente está sim. A gente está se esforçando.”

No quesito pesquisado de atributos pessoais e políticos de Rodrigo Agostinho, ou seja, o homem público, destacam-se, pela ordem, honestidade, responsabilidade, competência e seriedade. Nesta pergunta, Rodrigo não recebeu reprovação em nenhum dos 12 itens pesquisados. “Você pega por exemplo a população do bairro Bauru 16, onde nós estamos fazendo o recape, a realidade é que a gente está trabalhando. Agora ir para um bairro que não está tendo recape, a realidade é que a prefeitura não está atuando. E não é bem por aí. Então a gente tem que ter esse tipo de compreensão. Nesses primeiros 100 dias, conseguimos fazer muita coisa. Tenho certeza que nos quatro anos vamos fazer muito, muito por Bauru.”

Repercussão

O secretário municipal de Cultura e atual presidente do PSB, Pedro Romualdo, disse que o resultado da consulta foi positivo, mas pondera que, muitas coisas, ainda são reflexo da administração anterior. “Há todo um trabalho que está sendo feito pela prefeitura. Algumas coisas vão demorar para aparecer para a população. Mas vejo a avaliação de forma positiva. Tem muito o que fazer, mas foi um bom começo.”

O presidente do PTB e chefe de Gabinete da Câmara Municipal, Ricardo Oliveira, disse ontem que ainda não dá para esperar muita coisa de uma administração que tem apenas 100 dias. “Mas faço coro às palavras de nosso presidente, o Pastor Luiz (PTB). Em alguns pontos o governo podia ter avançado mais, como na limpeza pública (segunda pior nota no desempenho geral da prefeitura)”, criticou. “Mas de qualquer forma é muito cedo para cobranças. Vamos dar tempo ao tempo e ajudá-lo naquilo que pudermos junto aos órgãos estaduais e federais que são dirigidos por nosso partido”, concluiu.

Já o secretário municipal de Planejamento (Seplan), Rodrigo Said, avalia com naturalidade que as pessoas tenham pressa em ver mudanças, principalmente nos bairros periféricos.

“Estamos tomando ciência da situação, revendo as ações e projetos, reestruturando as secretarias de recurso material e humano. Na Seplan estamos com algumas ações na área de habitação de interesse social, com a implementação do programa de assistência técnica individual para a regularização de terrenos e casas com projetos gratuitos e a construção de casas em diversos bairros. Pode não ser o suficiente até o momento para o que a cidade precisa, mas é um bom começo e estaremos empenhados em desenvolver os projetos que a cidade necessita, buscando as verbas onde quer que possam estar para mudar a cara desta cidade. Bauru não vai ficar para trás. Acredito que a equipe montada pelo prefeito está coesa e empenhada em trabalhar conjuntamente para este resultado.”

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Benevolência

Com base na pesquisa encomendada pelo JC e divulgada na edição de ontem, a vice-prefeita, Estela Almagro (PT), acredita que a população, em sua avaliação, tenha sido benevolente com a atual administração municipal. E não à toa. “Estão vendo nosso esforço em fazer uma gestão diferenciada”, explica.

Para ela, pesquisas como a divulgada ontem servem como parâmetro momentâneo, como as publicadas durante a eleição. “Quando no governo, também servem como norte, diretriz. Nós herdamos uma situação construída ao longo de dois, três mandatos que não eram nossos. Começamos um momento completamente novo”, avalia.

Ela concorda com o prefeito Rodrigo Agostinho que, ao avaliar os primeiros 100 dias de mandato, disse não estar satisfeito. “Ele não dizia isso só por ele, mas também por mim. Nós queremos mais. Em 100 dias de governo não se faz tudo o que se gostaria de fazer. Mas há sinais para o povo para onde a gente caminha e para onde a gente quer chegar. Bauru quer caminhar conosco e a pesquisa vem nesse sentido”, acrescenta.

Na opinião da vice-prefeita, a população não separa o Rodrigo do governo. “São uma coisa só. Isso poderia induzir a um equívoco político. Primeiro porque o Rodrigo não governaria sozinho”, comenta. Em segundo lugar, sem a figura dele, os partidos teriam outras posturas. “É uma junção e o povo entendeu isso. Ganhamos uma eleição por isso”, conclui.

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