Política

Faltam consulta e tratamento médico

Luciana La Fortezza
| Tempo de leitura: 2 min

Quem tem dor, tem pressa. Seja por conta de uma contusão no pé ou de uma situação crônica, talvez em fase terminal. Como então conciliar o sofrimento ao deparar-se com as clássicas dificuldades da saúde pública, que ainda exige via sacra para marcar consultas, além de sorte, depois, para seguir tratamento especializado?

Por maior que seja o número referente à demanda reprimida para consultas especializadas, o que realmente choca é sentir-se desassistido num momento tão delicado. Não por acaso, usuários são contumazes ao procurar a imprensa para reclamar das filas na unidades básicas de saúde, do atendimento no Pronto-Socorro, da falta de vagas em hospitais de referência ou de tratamento especializado.

Por fim, tornam-se números quando o problema é discutido nas esferas governamentais. Somam 30.969 à espera de consultas especializadas, conforme divulgado na última audiência pública da saúde. Para estarem incluídos no total, já enfrentaram peregrinação de madrugada para conseguirem senha nas unidades básicas de saúde. A situação é comum, por exemplo, em frente à unidade do Núcleo Nova Esperança.

No Jardim Redentor tinha até cambista, que cobrava R$ 30,00 para permanecer na fila antes do sol nascer, conforme o JC divulgou. Mas em outras unidades, porém, nem clínico geral há, como acontece em Tibiriçá atualmente. Na Vila Dutra, só às quartas-feiras.

A baixa capacidade de cobertura de assistência médica na atenção básica foi admitida pela Secretaria Municipal de Saúde também na última audiência pública, realizada há cerca de um mês. Na ocasião, a pasta apontou excesso de demanda e superlotação no Pronto-Socorro Central (PSC), que atende cerca de 600 pessoas por dia.

Entrada

Sem opção próximo de casa, é para lá que a maioria dos usuários do Sistema Único de Saúde (SUS) se dirige. Num exercício de paciência, muitos permanecem até quatro horas para serem atendidos. Haja virtude. Quando conseguem, tem quem se acomode pelos corredores. Para diminuir o constrangimento, está em estudo a possibilidade do Hospital de Base ceder área ao PSC. Por lá, é mais rápido o acolhimento para casos de urgência e emergência, mas a realidade torna-se mais um desafio ao paciente.

Ele passa, então, a disputar vagas em hospitais de referência. Há um ano, por exemplo, Odair Soares Ferreira morreu aos 54 anos de pneumonia no PSC, enquanto aguardava vaga no Hospital Estadual há quatro dias. O tráfego do usuário pelos vários serviços é uma preocupação externada pelo titular da Secretaria Municipal de Saúde, Fernando Monti. Antes mesmo da atual gestão assumir oficialmente, ele já havia se reunido com o secretário estadual de Saúde, Luiz Roberto Barradas Barata, para discutir o assunto.

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