Foram dois anos de “jejum artístico”, sem produzir nenhuma tela ou gravura. Depois de dedicar-se à reflexão de sua arte, exercida há 45 anos, Percÿ Coppieters retoma os pincéis, logo com três exposições pela frente. Até junho, o artista plástico residente em Bauru deve produzir cerca de 60 trabalhos, reflexos dessa sua reavaliação.
O resultado poderá ser apreciado em duas mostras em Bauru, onde Percÿ mora há 17 anos, e outra em Ourinhos, sua cidade-natal. Há ainda uma exposição no Centre Design Marseille, na França, prevista para julho do ano que vem. Na primeira delas, “Dom e Cor na Palma da Mão”, o artista propõe um resgate do período em que debruçava-se às telas figurativas. A mostra, composta por 20 quadros, ficará aberta à visitação de 5 a 15 de maio, no Templo Bar.
Em intenso processo de produção, Percÿ confessa ser a pressão do tempo um dos fortes ingredientes do seu trabalho. “Gosto de olhar cinco telas em branco e saber que o meu tempo está exíguo. Nessas condições, você pára e vai para cima das telas com um certo furor”, comenta.
Saber administrar essa pressão, por outro lado, é habilidade conquistada com o passar dos anos, segundo o artista. “A pressão diante do compromisso, algo que depende da sua inspiração e criatividade, dilui com a prática e a experiência”, completa.
Foram as buscas por novas linguagens, por maneiras de mostrar uma obra diferenciada e por uma cara nova, que nortearam o artista plástico durante a trajetória de redescobrimento de sua arte. “Você precisa sempre refletir sobre qual o melhor caminho para o seu trabalho. Como artista contemporâneo, não acompanho tendências, apenas a minha própria. Precisava refletir, resgatar algumas coisas que gosto no meu trabalho mas que já não fazia mais”, explica.
“Uma tela resume-se, para mim, em matéria e material, sendo que um você quantifica e o outro, qualifica. O que procuro é sempre tirar dos meus materiais o máximo possível de beleza com o mínimo de matéria. E para isso, às vezes, é necessário parar, não importa por quanto tempo, para você conseguir colocar tudo em rota outra vez”, completa.
Uma das principais descobertas do artista depois desse período foi, segundo o próprio, perceber que seu instinto criativo permanecera latente. “Percebi que meu estilo de criação não estava morto, e sim, apenas esperando uma oportunidade de explodir novamente”, conclui.