Rita Gomes é dona de uma loja de roupas no Parque Araruna. Todos os dias ela acorda, prepara o café, se arruma, anda cerca de 20 metros e já está no trabalho. Sua casa é separada da sua loja por apenas um imóvel. Tanta proximidade é fruto de uma decisão tomada há 10 anos.
“Sempre trabalhei fora, foram 17 anos trabalhando em uma loja. Mas um dia, meu filho passou uma noite ruim e no dia seguinte eu tive que trabalhar. Ele ficou o dia todo sozinho e à noite foi diagnosticado com princípio de meningite. Foi uma coisa que mexeu comigo. Na época, resolvi sair do comércio por causa disso”, conta Rita.
Deixar o emprego e voltar para casa foi uma decisão difícil, pois Rita precisava do salário que recebia. Foi então que ela decidiu investir no comércio de roupas. No início, ela vendia as peças na sala de casa. Com o tempo, o negócio foi aumentando e ocupando outros cômodos, até que, com muito esforço, ela conseguiu comprar o imóvel na mesma rua e montou sua loja. “Foi muito sacrifício, mas você não tem que mostrar preguiça”, diz.
Dentre as vantagens deste tipo de empreendimento, Rita ressalta a possibilidade de adiantar muitas coisas e facilidade de poder resolver os problemas de casa a qualquer momento. “Hoje tenho a comodidade de poder ver meu filho, resolver problemas. Tenho a chance até de tirar a roupa do varal quando vai chover”, relata.
Tantas vantagens passaram a ser partilhadas com os funcionários. Rita prefere contratar pessoas que morem perto de sua loja para que elas também possam desfrutar destas facilidades. “Dos seis funcionários que tenho, cinco moram perto. Acho que eles trabalham melhor porque não têm indecisão. Se precisarem ir em casa resolver alguma coisa, vão. Depois voltam para trabalhar”, explica.
A única reclamação de Rita é a da maioria dos comerciantes que trabalham muito próximo às suas casas: a perda de privacidade. Mas mesmo assim, ela acredita que aquela decisão de tantos anos foi a melhor que ela poderia ter tomado. “Eu acho que consegui encontrar meu espaço trabalhando próximo à minha casa”, finaliza.