Soeli Marafioti mora no bairro Higienópolis e tem uma loja de presentes nos fundos de sua casa. Lá ela comercializa artigos para todas as idades e se orgulha de poder oferecer a seus clientes tudo o que eles procuram em um só lugar. Soeli agradece a Deus pelo sucesso do estabelecimento, com o qual sustentou a filha e de onde tira sua renda até hoje.
Quem pensa que trata-se de uma lojinha pequena e “de bairro”, se engana. As vitrines não perdem em nada para as de shoppings, o sistema de administração é todo informatizado e câmeras de segurança estão espalhadas pela loja.
“Fomos assaltadas quatro vezes. Aí eu resolvi tomar providências. Antes a minha loja ficava com as portas abertas, mas agora colocamos câmera de segurança e fechamos a porta. Só entra aqui quem toca o interfone. Ficamos mais espertas”, conta Soeli.
A comerciante ainda ressalta as vantagens da informática. “Agora ficou uma beleza. Antes as funcionárias tinham que anotar cada lápis e era difícil fazer o controle. Agora, com o sistema de computador é rapidinho, o caixa fecha até sozinho no final do mês”, relata.
Tanta sagacidade para os negócios é fruto de mais de 20 anos de batalha. Soeli conta que começou vendendo cremes e bijuterias na sala de casa, pois separada do marido e com 30 anos de idade, tinha dificuldade para arranjar emprego. Com o tempo a freguesia foi aumentando e ela construiu um cômodo fechado nos fundos da casa. O sucesso foi tanto que ela abriu uma vitrine para a rua de trás e consolidou seu negócio.
Para ela, há muitas vantagens em trabalhar nos fundos de casa. “Para começar, eu não pago aluguel. Além disso, a gente fica à vontade. Se não tem freguês posso entrar e cochilar, fritar um pastel, brincar com o cachorro, comer ou até terminar de ver um filme. Tem também outra vantagem por ser um bairro: a pessoa só entra para comprar. Não é como na Batista ou no Shopping, onde o pessoal vai só para passear”, diz.
Apesar de ser um ótimo negócio, Soeli vê apenas uma desvantagem: os clientes que aparecem fora do horário comercial. “Agora não tem tanto, mas no começo batiam de sábado e domingo às 8 da manhã procurando presentes. Tinha freguês que vinha meia-noite para pegar presente para a menina que ia levar para sair. Isso acontecia mais quando não tinha a loja, quando eu atendia em casa. Depois que abri a loja nos fundos, coloquei a placa com horário de atendimento e melhorou um pouco”, constata.