A vidraçaria de Aluiz Marcos Travagli fica no Mary Dota. Seu escritório-oficina separa-se da cozinha e da área de lazer de sua residência apenas por uma porta vidro. Depois de trabalhar por vários anos como funcionário de uma empresa do ramo, Travagli achou que o melhor a fazer era abrir seu próprio negócio em casa. A idéia vingou e faz dez anos que ele trabalha desta forma.
“Decidi trabalhar aqui em casa principalmente por não ter que pagar o aluguel. Já tive experiência em outros lugares onde tive que pagar aluguel, telefone, funcionário e no final o gasto é muito alto. Hoje está difícil trabalhar assim”, explica.
Embora a questão financeira seja fundamental, Travagli não vê muitas outras vantagens em trabalhar em casa, ainda mais como vidraceiro. “Minha esposa concordou e não concordou em ter a loja em casa. Às vezes a gente tem umas briguinhas porque temos filhos e ela fica preocupada por causa do vidro”, conta.
Além disso, ele se irrita um pouco com os clientes que aparecem nos horários mais inoportunos. “Não tem muitas vantagens, porque sempre tem cliente que vem fora de hora, sábado, domingo. Ainda vem comprar pouca coisa. Acontece da gente estar com a família fazendo um churrasquinho ali no fundo, tocarem a campainha e ser um cara querendo comprar dois vidrinhos” reclama Travagli.
Separar a vida profissional e a vida privada quando escritório e casa são separados apenas por uma porta de vidro é um desafio. “Fica difícil separar, gera conflitos porque mistura firma, telefone, clientes, amigos, é complicado”, pondera Travagli.