Tribuna do Leitor

De sapo barbudo até “O cara”


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A metamorfose do presidente Lula é incomparável, do Sapo Barbudo definido por Leonel Brizola quando chegou pela primeira vez no segundo turno, com idéias que iam de resquícios de luta armada ao socialismo como teoria econômica, incluindo “auditoria da dívida do FMI”, estatização e reestatização de empresas, apoio incondicional às invasões ilegais do MST (este ainda hoje existente de forma velada). Infelizmente muitos como eu mesmo tiveram que engolir o sapo, principalmente quando disputando o segundo turno com o príncipe das Alagoas Collor de Mello.

O tempo, como dizia este Collor, é o senhor da razão, pois nas eleições de 2002 já era um novo Lula, com barba e cabelos grisalhos e aparados, novo figurino sem a velha e surrada camisa verrmelha do PT, substituída por ternos elegantes pelo marketeiro baiano no novo figurino Lulinha Paz e Amor.

Felizmente, para todos nós brasileiros, a metamorfose não se definiu apenas na aparência e em todo o governo e, principalmente, na economia gerida pelo ex-banqueiro e deputado pelo PSDB Henrique Meirelles, aplicando uma política antes definida pelo PT como neoliberal e, com isto, colhendo em parte os frutos da política iniciada desde o governo Fernando Henrique. E ainda na área social, transformando de forma marqueteira mas competente as políticas sociais aplicadas pela doutora Ruth Cardoso em Bolsa Família, realizando na verdade um 3.º e 4.º mandato do governo Fernando Henrique, nada parecido com a plataforma petista.

Esta metamorfose até mesmo extrapolou a direita em alianças que “nunca antes neste país” foram pensadas como as com o trio Sarney-Collor-Renan e na defesa ferrenha do programa Proer, antes tido e havido por Lula e seus companheiros como lesa pátria e ensejando nas ruas a protestos e até um Fora Fernando Henrique. Agora o Proer já é produto de exportação e considerado lição de casa bem feita nos recados a Obama e capaz de transformar o tsunami internacional em marolinha.

Este novo Lula será realmente “o cara” se conseguir não se lisonjear por elogios jocosos (anglicismo de jokey ou piada na língua inglesa) e negociar como um verdadeiro estadista e não como político da república das bananas (tipo Chávez e o garotinho Morales), transformando estes elogios em ações concretas em benefícios do país não em uma questão, uma simples vantagem eleitoral na tentativa de transformar a pouco flexível ministra Dilma com a nova imagem Barbie em presidente, o que já é bem diferente.

Márcio M. Carvalho

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