Estou preocupado com algumas situações que vejo no setor público. Parece que os cargos de confiança (confiança que deveria ser do povo) são escolhidos sem critério nenhum, aliás, com pelo menos um critério - o do “Meu Amigo!” Isso é ruim e perigoso, pois muitos “amigos” não passam de urubus atrás de carniça. Esses estão apenas atrás de uma boquinha para mamar no erário público e estão se lixando para o interesse da coletividade. A única coletividade que lhes interessa é a deles próprios. Está faltando ao poder publico o caráter profissional. Colocar a pessoa certa no lugar certo. Sinto um vazio enorme de gente competente mandando no poder público.
E aqui eu posso lhes dizer que o servidor público muitas vezes tem essa competência, só que o cargo lhe é “roubado”, literalmente, porque sempre tem um amigo esperto do grupo do governante do momento para lhe tirar, condenando toda uma cidade, estado e país por causa de favores eleitorais. Essa é a nossa democracia. Já estou começando a sentir raiva dessa palavra e isso é um pecado porque a essência dela é divina, mas pena que o homem a profana demais! O poder é público, mas quem governa é privado no pior sentido dessa palavra. No Brasil sempre se misturou o público do privado e ainda até hoje isso continua se perpetuando pelos quatro cantos do nosso querido rincão.
O poder emana do povo para o povo, mas parece que o povo depois da eleição é deixado de lado talvez por culpa dele mesmo, que esquece que a eleição é apenas o começo de um processo de fiscalização permanente ou talvez porque quem governa se esconde na burocracia do estado. A única coisa que sei é que esse excesso de amadores acaba por prejudicar a todos nós. Amador aqui no sentido pejorativo da palavra, porque o amador no seu sentido poético é aquele que ama a dor, que faz algo por amor, o que quer dizer que nem todo amador seja ruim. Mas tem alguns por aí que se chamá-los de amadores é como se fosse um verdadeiro elogio. E reflitam....
André Zambelo - diretor teatral