Polícia

Vale do Igapó clama por segurança

Por Monise Centurion | Com Redação
| Tempo de leitura: 3 min

Dezenas de moradores das cerca de 230 chácaras e casas do Vale do Igapó, em Bauru, realizaram ontem uma manifestação por mais segurança no local. Durante a manhã, caminhões de som e pessoas com cartazes, que expressavam a indignação da população, percorreram as principais ruas do bairro.

“A Polícia Militar tem estado no bairro freqüentemente, mas o local é muito longe da base. Queremos que seja intensificada essa autuação e também se faça um policiamento preventivo na área”, afirma o funcionário público Luiz Carlos Braga, 62 anos.

Desde o início do ano, o JC já noticiou cinco roubos a residências. No mais recente, há cerca de dez dias, cinco pessoas de uma família foram presas no banheiro de uma chácara e uma delas foi baleada. Mesmo com a vítima ferida, os ladrões deram prosseguimento ao roubo. Levaram três celulares e um carro. A vítima foi submetida a cirurgia e passa bem. Na noite do crime, a família havia ido à chácara para cuidar da piscina e da grama. Eles informaram à reportagem do jornal que irão vender o imóvel por causa da insegurança no local.

Como o bairro é afastado da região central da cidade, com livre entrada e saída de veículos, casas distantes umas das outras e com áreas de mata nativa entre elas, os ladrões ficam livres para agir com facilidade. Ajuda ainda mais o fato de boa parte das casas ser usada apenas aos finais de semana, para lazer.

“A gente está preocupado com a segurança, mas também com as festas que acontecem nas chácaras. Muitos alugam casas nos finais de semana, promovem raves e fazem muito barulho. Queremos que a patrulha da PM passe nas ruas de sábado e domingo. Anteontem mesmo, teve cavalo-de-pau na avenida”, diz o empresário Roberto Namen, 66 anos.

Em entrevista dada ao JC na última semana, o capitão Ézio Carlos Vieira de Melo, comandante da 4.ª Companhia da PM, afirmou que embora o Vale do Igapó não seja considerado uma área violenta da cidade, o policiamento tem sido efetivo e constante no bairro.

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Ex-secretário foi morto no bairro

Não é de hoje que o Vale do Ipagó é palco de ocorrências policiais. Pelo contrário. No ano passado, o ex-secretário municipal de Esportes, José Roberto Franco, o Sapé, foi morto aos 53 anos no bairro. E perdeu a vida justamente porque teria identificado responsáveis por furtos de animais nas imediações.

Por essa razão, o caseiro Roberto Carlos Lopes, 42 anos, em parceria com o pintor Evanildo Fontes Martins, 43 anos, resolveu calá-lo de forma definitiva, informou a Polícia Civil na ocasião em que o assassinato foi esclarecido. Sapé foi encontrado morto no dia 21 de maio de 2008, com duas perfurações à bala - uma no peito e outra na nuca - dentro do carro da namorada, no Vale do Igapó, próximo à fazenda onde mantinha criação de vacas leiteiras.

Além do homicídio, outros delitos também foram registrados no ano passado no bairro. A polícia, por exemplo, localizou chácaras com várias máquinas de videobingo. Enquanto isso, famílias continuavam a ser rendidas durante assaltos pelo bairro. Num deles, seis homens roubaram uma caminhonete e levaram o dono. No final do ano passado, dois irmãos moradores do Núcleo Habitacional Octávio Rasi foram presos sob a acusação de praticar roubos pelo bairro.

Em 2006 houve até troca de tiros com a polícia. Dois homens morreram baleados após a PM invadir uma chácara onde havia drogas e dinheiro. A suspeita era de que algumas pessoas fossem ligadas à facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC).

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