Tribuna do Leitor

Aposentadoria virou castigo


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O JC (17/03, pág. 5) publicou Informe Publicitário do Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Bauru e Região, intitulado: “Carta Aberta à População De Bauru - Servidores aposentados são desprezados pelo prefeito Rodrigo Agostinho”.

Na condição de professor aposentado do QM (Quadro do Magistério) da Secretaria da Educação do Estado de São Paulo, solidarizo-me com os servidores municipais aposentados de Bauru repudiando tal atitude.

O ex-governador Geraldo Alckmin e o atual governador José Serra, o antecessor adotou e o sucessor adota idêntica atitude contra os servidores aposentados do Estado/SP.

Meus cumprimentos ao Sinserm pela Carta Aberta à População de Bauru, em defesa dos servidores municipais aposentados.

É preciso gritar sim, chamando a atenção da sociedade que desconsiderar o trabalhador aposentado é atitude desumana e deseducativa na formação do comportamento das novas gerações, que passarão a ver os aposentados como objetos inúteis, peso morto. Comporta invocar o capítulo “Etarismo – Preconceito de Idade”, do livro “A Velhice no Brasil”, de Mario Filizzola (1972).

O autor conceitua etarismo como preconceito contra a velhice, uma espécie de racismo e explica: "Do mesmo modo como age o racista, guiado por seu preconceito, o etarista é conduzido por preconceito contra os velhos. O etarista denuncia-se por seu próprio comportamento e por sua maneira de tratar os velhos."

Se a atitude do prefeito e dos governadores de excluir os servidores aposentados de receberem o abono concedido aos servidores da ativa não é etarismo, é economia às custas dos proventos dos aposentados.

Aposentadoria não é favor, nem filantropia que se faz aos aposentados. Aposentadoria é direito que se adquire como prêmio conquistado pela missão cumprida, pelo trabalho desempenhado quando na atividade. Ao inativo se paga provento da aposentadoria pelo que ele fez, quando em atividade, não pelo que ele faz quando aposentado.

Outrora, quando o servidor se aposentava era um dia de festa, de cumprimentos no seu local de trabalho e na residência, comemoração dos familiares. Hoje, aposentar-se se transformou em castigo. O aposentado é marginalizado, objeto de sucata, estorvo.

A crise que a sociedade vive, antes de ser uma crise econômica e financeira é crise de alma, de espírito humanitário. O homem está cada vez mais se tornando algoz do próprio homem. É preciso, urgente, reverter esta situação muito preocupante.

A riqueza construída, o progresso conquistado que se usufrui no presente, é o fruto do trabalho, do esforço das pessoas no passado, na sua vida ativa. Ignorar esta realidade é muita ingratidão, ou melhor, falta de reconhecimento.

Rodolpho Pereira Lima - professor aposentado do Estado de SP e conselheiro do Conselho Superior do Centro do Professorado Paulista - CPP

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