Regional

Três hospitais da região integram ‘lista negra’ do Ministério Público

Luiz Beltramin
| Tempo de leitura: 4 min

Três hospitais da região de Bauru e outros quatro de áreas administrativas próximas foram citados em um estudo divulgado anteontem, pelo Ministério Público Estadual (MP-SP), numa lista de instituições com potencial risco de difusão de infecção hospitalar.

A pesquisa, empreendida pelo Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp), entre o segundo semestre de 2007 e o início do ano passado, avaliou 158 instituições paulistas, entre órgãos públicos e privados, com percentual de reprova de 92,4%. Apenas 12 hospitais, de acordo com o levantamento, seguem à risca todas as exigências do CRM-SP.

Na região, entre as instituições que estariam em débito quanto aos quesitos preventivos à proliferação de bactérias e germes causadores de infecções, figuram as Santas Casas de Dois Córregos, Duartina e Macatuba. O estudo também aponta pendências em instituições hospitalares de Botucatu, Gália, Promissão, Assis e Ourinhos.

O levantamento, detalha o médico Carlos Alberto Monti Gobbo, integrante do CRM-SP correspondente à região de Bauru, foi protocolado junto ao MP pelo fato do órgão ostentar, de fato, caráter fiscalizador sobre procedimentos institucionais. “O Cremesp fiscaliza o profissional, mas não tem ‘poder de polícia’ ou de fiscalização sobre as instituições”, diferencia.

“O Ministério Público pode tomar as medidas sobre as condições dos hospitais e treinamento dos respectivos funcionários”, atribui o conselheiro, ao frisar que os dados são alarmantes, apesar dos números se referirem de forma genérica às instituições de saúde, sem listagem dos problemas de forma específica ou separação acerca de órgãos públicos ou privados.

“É preocupante, sem dúvida. Estamos numa época em que não se criam novas linhas de antibióticos, com resistência bacteriana mais eficiente do que a capacidade humana de se desenvolver novos medicamentos”, alerta o médico.

Segundo Gobbo, é muito mais eficiente a busca por mecanismos que impeçam a difusão de germes e bactérias causadores de infecções no ambiente hospitalar do que a produção desenfreada de antibióticos, em grande parte, ineficaz devido ao constante aumento na resistência bacteriana.

Essas barreiras preventivas, explica o membro do Cremesp, passam pelo cumprimento às normas físicas e técnicas por parte dos hospitais - desde a manutenção das Comissões de Controle de Infecção Hospitalar (CCHIs), exigidas pelo Ministério da Saúde, até o devido treinamento de pessoal. “Tudo isso é checado dentro da fiscalização. Desde como ocorre a circulação de materiais e pacientes, bem como se há algum programa de treinamento”, especifica. “Todos têm a resolução do Conselho que determina a obrigatoriedade da Comissão (CCHI)”, acentua.

Conforme o estudo do Cremesp, 7,6% dos hospitais avaliados não contam com a Comissão de Controle de Infecção Hospitalar. Pouco mais de 41%, aponta o CRM paulista, não contam com estrutura necessária para o pleno trabalho das CCHIs.

Em Dois Córregos, uma das cidades da região onde foram notados problemas quanto ao cumprimento das normas exigidas pelo conselho estadual, a Santa Casa local não cumpre, atualmente, a carga horária semanal exigida para o médico responsável pela comissão. “Temos de ter um médico para a CCIH durante sete horas por semana, mas nosso contrato é de cinco”, admite Márcio Cândido, gerente administrativo do hospital filantrópico, que assegura precisar de alterações burocráticas para regularizar a situação.

Outro lado

Ainda em Dois Córregos, o gerente da Santa Casa alega que o hospital foi citado em apenas dois itens da pesquisa. Além do horário de permanência do responsável pela CCIH, a instituição da cidade também necessita de melhorias estruturais quanto à acomodação de material. “O segundo quesito se refere à parte física da central de materiais. Estamos adequando a planta com engenheiro”, assegura o gerente do hospital filantrópico, que prevê o início das obras num prazo estimado de dois meses.

Em Gália, no hospital São Vicente, onde a reprova foi motivada pela inexistência da CCHI, a alegação é de que o município carece de profissionais específicos para integrar a comissão, justifica Lilian Di Iorio, enfermeira e responsável técnica pelo controle de infecção da unidade hospitalar da cidade, que conta com 26 leitos. Entretanto, garante a enfermeira, o hospital jamais registrou incidências do gênero: “O São Vicente não possui histórico de infecção hospitalar. Isso pode ser comprovado pela Vigilância Sanitária e Epidemiológica do município”, argumenta.

Em Botucatu, listada negativamente no estudo na análise da Instituição “Misericórdia Botucatuense”, o diretor clínico da unidade, Sebastião Schmidt Filho, além de ressaltar que a unidade mantém liderança de “10 anos no controle de infecção hospitalar”, alega desconhecer a reprova.

O médico Antônio Carlos Pinotti Afonso, diretor clínico do Hospital Geral de Promissão, salienta que o estudo foi realizado anteriormente à reestruturação do CCIH da unidade. Segundo ele, a instituição também acabou reprovada em função do período de reforma da unidade, que, aponta o diretor, ocorreu paralelamente à pesquisa. “Se o estudo fosse feito hoje, com certeza, o hospital estaria dentro dos parâmetros de controle da infecção hospitalar”, atesta.

Responsáveis pelas direções das Santas Casas de Macatuba e Duartina foram procurados ontem pela reportagem e, até o fechamento desta edição, ontem à noite, não se manifestaram.

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