O Banco Central, através de seu presidente, Henrique Meirelles, admitiu que o momento é de baixar a taxa básica de juros, a chamada taxa Selic. Não obstante, o Banco Central estar atrasado em quatro meses, pois os juros deveriam ter sido rebaixados a partir do início da crise mundial, o que o mercado clama mesmo é por juros menores para o tomador final de recursos.
A taxa básica da economia é somente uma sinalizadora do patamar inicial dos juros, uma vez que, no lado real da economia, este que gera empregos, renda e fornece produtos e serviços, convive com juros exorbitantes.
Há vários componentes que levam os juros a 30, 40, 60 e em alguns casos até 150% ao ano. Primeiramente, o medo do calote. Neste particular, os intermediários financeiros carregam nos juros finais toda a incerteza quanto ao efetivo recebimento do dinheiro emprestado. É como se os bons pagadores pagassem pelos caloteiros. Levam em conta ainda o valor destinado aos depósitos compulsórios, que são recursos sem remuneração recolhidos ao Banco Central. Como não possuem remuneração, os bancos embutem nos juros essa “perda”. Tem ainda a cunha fiscal. O governo fica, em termos de impostos, com boa parte dos recursos gerados pela cobrança de juros. E entre outras variáveis tem ainda o spread bancário, ou seja, o lucro do banco. Observem que, se o ponto de partida são os juros básicos, rebaixá-los sem mexer na cadeia toda de formação dos juros finais é brincar de fazer política monetária.
Reduzir o compulsório, rever critérios de liberação de crédito, diminuir a cunha fiscal e, finalmente, exigir spread menor são providências que permitirão, de maneira efetiva, fazer a economia voltar a movimentar via crédito. Fora isso será somente uma retórica dizer que o governo faz sua parte, mas o mercado não reage em função da crise. Todos clamam: juros menores para o tomador final.
O autor, Reinaldo Cafeo, é economista e colunista do JC